Mystep Mixtape


Published
13.06.07
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Tranquera.org

Kowalsky é um cara que adora mixar e faz isso muito bem. Sua última mixtape, com exclusividade para o Tranquera, traz echo, reverb e efeitos especiais típicos do Dub. Parceiro de Blip na produção de muitas festas em Belo Horizonte como a Ctrl Shift, Requebra e Fetiche, apenas para citar algumas, o mineiro foi batizado nos decks com muitas batidas quebradas. “Meu gosto por discotecagem e mexidas com toca-discos começou por causa do Hip Hop, mas acho que a concepção da discotecagem do DJ pós-Techno, o lance das camadas e mixagens, é que me deu vontade de botar a mão na massa”, explica. O DJ toca tudo o que gosta, sem ficar preso à rótulos. “Assim como não consigo escolher um só sabor de sorvete na sorveteria, não consigo escolher um só estilo musical”, brinca.

Quando você começou tocar Dubstep? Por quê?

Conheci o Dubstep seguindo a trilha do UK Garage e do 2-Step, por muita influência do meu amigo Blip, imediatamente depois de me dar conta da existência do Grime, que já era grande. Hoje, acho que, de alguma forma, os “riddims grimeiros” podem estar para o Jungle como o Dubstep está para o Drum’n'bass. Confesso que isso deu um pouco de preguiça no início, achava que as mesmas idéias sonoras que começaram a saturar na decadência do Drum’n'bass estavam sendo recicladas no Dubstep. Mas acabei percebendo que muitos talentos se destacaram independente de qualquer coisa. Foi legal perceber isso e ter uma visão mais ampla do tipo de musicalidade que a cultura urbana de Londres e da Inglaterra gerou desde o Hardcore, passando pelo Jungle, Drum’n'bass, Grime e Dubstep, incluindo aí todo o caldo Warp, Rephlex e Planet Mu.

Aliás, é muito interessante notar como muitas idéias que estavam cozinhando nesse caldo, talvez mais no Planet Mu, ganharam consistência atualmente em meio ao burburinho Dubstep, Grime. Por exemplo: “Camel Toe” do Hawerchuk, que é uma faixa maravilhosa, Milanese, Various Production, os Grim Dubs e o Starkey, pelo Werk, a lista poderia ser longa. Não gosto muito dessa palavra, mas o “feeling” do Dub vira e mexe se infiltra aqui ou ali, nesse ou naquele estilo musical, com seus echoes e reverbs. Acho que o Dubstep ainda vai se desdobrar em várias outras coisinhas. Está começando a rolar, inclusive, um bate-bola com o pessoal do Minimal, Villalobos e Shackleton, por exemplo.

Você esteve na FWD? Como foi a experiência?

Estive na FWD, no réveillon desse ano. Quase todas as figuras do Dubstep inglês estavam presentes. Senti o poder do grave do sistema de som do Plastic People. Muitas faixas que só estão saindo agora ouvi lá. Os famosos dubplates de circulação restrita. O Skream foi muito legal. Ele realmente tem uma pegada com a vitalidade correspondente à idade dele. Geeneus também foi legal, tocou “Sound Of The Future”, que é uma faixa que adoro, ganhei o 12″ de presente do Blip ano passado. O único arrependimento foi não ter agüentado ficar além das 3h00 da manhã. Minhas pernas, de tanto bater em Londres há dias, pediam cama. E ainda precisavam encarar o night bus no frio de 2 ou 4 graus.

Sua mixtape tem “efeitos especiais”? Como você fez isso?

São os efeitos do meu mixer, nada mais. Tape echo e echo, basicamente. Fiéis à piração “babilônica-espacial-sonora-selvagem” do Dub jamaicano.

Sua seleção tem sons nacionais?

Tem uma faixa do Digital Dubs, por causa do denominador comum, que é o Dub.

Quais artistas da cena nacional você mais curte? Por quê?

Hoje em dia não sei. Talvez esteja mal informado. Gostei de alguns riddims old school do Digital Dubs. No quesito Dubstep mais purista, não conheço outro produtor brasileiro a não ser o Bruno Belluomini, que tem uma faixa que gostei bastante no EP do Unity Trax.

Quais são seus projetos atuais? Algum plano para o futuro?

Mil planos de podcasts, produções, discotecagens, mixtapes na cabeça. Tentar e tentar e tentar. Talvez o legal seja nunca chegar lá, aonde quer que seja. Talvez o legal seja o processo.

Mystep Mixtape

01. Sizzla “Obstacles (Blackdown Refix)” White Label
02. Shackleton “Majestic Visions” Skull Disco
03. Walsh & Kromestar “Panik Room” Hotflush
04. Blackmass Plastics “Runnit” Rag & Bone
05. Digital Dubs feat. M7 “Pretinho Babylon (Cidade Alta Riddim)” Muzamba
06. MRK1 “Slang” Tectonic
07. Skream “Dutch Flowerz” Tempa
08. High Plains Drifter feat. Goldspot “Sholay” Tempa
09. Coki “Officer” DMZ
10. Rhythm & Sound feat. Willi Williams “See Mi Yah” Burial Mix
11. DQ1 “Wear The Crown” Tectonic
12. Kode 9 “9 Samurai” Hyperdub
13. Coki “Tortured” Tempa
14. Sgt. Steppa “Rockers 2000″ Double Seven
15. Digital Mystikz “Neverland” DMZ
16. Abyssinians “Yim Mas Gan” Trojan
17. MRK1 “Stardust” Planet Mu
18. King Tubby “Angel Dub” Varese

 

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