
Nosso amigo Blip, representante do Tranquera.org em terras espanholas, foi ao Sónar. A nosso pedido, ele fez um relato sobre o que viu e ouviu no festival.
Tranquera no Sónar
Este ano estive de volta ao Sónar, o influente e já veterano festival de música e arte em Barcelona. Desta vez, participei, ainda que indiretamente. A loja Tazmaniac, uma das poucas em que se pode encontrar Dubstep aqui, promoveu sessões de djs durante todo o dia. Fui convidado, levei Dubstep, Baltimore, Grime, cerveja, Ghettotech, Electro e Hip Hop. Tentei por uma hora que os clientes escutassem os discos que tinha comprado e não os que eles queriam comprar. A resposta foi boa e um inglês tentou comprar a minha cópia de “Voh Keimah”, de Bruno “Tranquera” Belluomini e Jimmy Luv. “That’s tight”, disse ele.
Quanto ao Sónar propriamente dito, esse foi o ano do ruído Metal/laptop, muitas vezes simultaneamente. Sunn O))) trabalha com uma massa descomunal de distorção e feedback, em volume acachapante, sem bateria e sem vocais inteligíveis. O efeito é o Metal mais pesado que já se ouviu, ao mesmo tempo um tipo de música ambiente sombria e estranhamente relaxante. Haswell e Hecker foram 40 minutos de eletrocução e ruído digitalmente abrasivo, muito mais textura que estrutura, saindo de um palco onde se via nada além de fumaça e um laser que se perdeu no caminho de alguma rave. Já Black Galaxy era a mais nova mutação de Mick Harris, ex-Napalm Death, ex-Scorn. Imagine Dubstep sem preocupação de ser “step”, com um trombone e ruído morse de alta freqüência.
Pouco ruidoso mas sublime, um dos dois melhores shows do festival, incluindo arrogantemente todos os que não vi, foi FM3 com Blixa Bargeld. FM3 é um duo chinês/inglês responsável pela criação da adorável Buddha Machine. Seu show de 40 minutos de UMA só música, baseado em UM riff de guitarra melancólico, texturas eletrônicas e a voz tratada de Blixa foi emocionante de levar às lágrimas. Impecável, vigoroso e sutil ao mesmo tempo, não durou um segundo mais do que deveria. O outro melhor show? O rapper freak inglês com peruca e cover de “1999″ de Prince, com letra lida de papelzinho: Infinite Livez. Fez algo que talvez seja pop em outro planeta, ou então será Hip Hop aqui mesmo, mas um que não recebeu o memorando falando de putas, niggas, dinheiro e armas.
Embora o Sónar noite tivesse atrações imperdíveis, incluindo Skream e Oris Jay, eu perdi. Bolso e ouvidos escolhemos ir a uma das muitas festas paralelas ao Sónar, um mini festival que trouxe Dj Maxximus, Bong-Ra, Vex’d, Distance e mais os locais Numaestro e Egres, entre outros. Maxximus fez um set sem mixagens, estilo “selector”, que não passou do correto. O resto da noite envolveu um massacre Breakcore de Sevil e Bong-Ra, mais casca grossa que o calcanhar de Godzilla, só pra iniciados (ou terminais).
A noite seguinte, sim, valeu a pena. Distance mostrou suas influências de Rock, várias músicas com guitarra, e soube aproveitar o excelente sistema de som do La Cova, um clube a 40 minutos de Barcelona que é, literalmente, uma caverna, de acústica excelente. Filastine veio com passaporte bem carimbado; África, Rio de Janeiro e o sul de Londres juntos nos seus laptop e percussão em carrinhos de supermercado. Quase terminando a maratona Sónar, os dois Vex’d surpreenderam com um excelente Dub, músicas de toques mais atmosféricos, mas logo foi hora de engatar de vez os baixos mal-humorados e uma versão de seu primeiro lançamento, a clássica “Pop Pop”. Perfeito para terminar bem o Sónar 2007, hora de deixar os morcegos e ir para casa.
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3 Comments
28.06.07
bong-ra sempre destruidor.
04.07.07
Mas o Sevil fez o Bong-Ra parecer quase acústico e sinfônico, hahaha
10.07.07
Putzzz…achei esse texto muito ruim…não deu pra intender se o festival foi uma merda ou se foi bom !!!
Tipo, o cara escreve pra ele…
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