Festival de Viena, Parte II

Published
25.07.07

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Tranquera.org

Por Bruno Belluomini
Colaborou Natalie Valili

A comunicação do festival foi muito bem conduzida, com encartes especiais, bem servidos de artigos e entrevistas, que circularam em uma publicação local chamada Skug. Isso sem contar os diversos tipos de flyers, cartazes e banners espalhados pelos quatro cantos da cidade, em pontos estratégicos.

Três pessoas foram muito especiais antes, durante e depois da viagem. Hans Kulisch, agitador cultural local, curador do festival e também DJ. Além de papo afiadíssimo para qualquer assunto, tem uma força de vontade de ferro. Já deve ter produzido festa com meio mundo do alto escalão do drum’n bass e conhece absolutamente tudo que é novo. É capaz de adivinhar o prazo de validade de qualquer hype e, definitivamente, não fica preso à nenhum estilo em particular quando está em ação nos decks. Eva Hanappi, responsável pela viagem e estadia dos convidados, foi extremamente atenciosa com todas as nossas dúvidas, auxiliando na busca de informações para facilitar nossos dias no estrangeiro. Wolfgang Schlag, redator e curador do festival, também foi excepcional.

No dia seguinte, consegui encontrar o Boomnoise, um amigo do Dubstepforum.com, no lounge do hotel. Nós conversamos um pouco e, logo em seguida, subimos para o quarto dos caras de Londres. Hatcha no telefone, pedindo para alguém levar a gangue para comer, Benga dependurado na janela, fazendo brincadeira com quem passava na rua, Crazy D ouvindo rippings da Rinse FM no laptop e N-Type fazendo piada de tudo e de todos. A zoeira era grande e o clima de camaradagem também.

Quando chegamos no The Zoo pela segunda vez, o club já estava lotado antes da meia noite. O Milanese tocava breakbeat e a galera pirava na pista. O backstage estava bem legal e consegui conversar com as pessoas que tocaram na noite anterior. Appleblim contando sobre seu trampo no Tempa, Pinch dando dicas de masterização, locais para cortar dubplate e os caras do Freakcamp falando da cena em Berlin. Mas logo corremos para pista, pois Benga já tinha começado o massacre.

Dubplates aos montes e grave, muito grave. Benga tocou coisas novas de Coki e Skream, além de produções próprias. Muitos synths percussivos, baixas freqüências castigando os falantes e vários rewinds. Os sons com vocais, mais voltados para o reggae, faziam a galera gritar de emoção. De uma maneira geral, o som foi bem pesado, irreverente, orientado para pista, longe da introspecção típica de alguns produtores mais experimentais. Crazy D fazia um pouco do toasting, revezando com o MC Rogue Star.

Chegou a hora de ver Hatcha tocar. Os joelhos não sossegavam. A seleção foi dançante do começo ao fim. Ele também ficava ao pulos e sabia o momento exato de deixar o drop mais extenso, para a galera tomar fôlego. Com uma técnica bem agressiva de mixagem, cortes secos e controle pleno dos toca-discos, Hatcha desceu a mão em vários dubplates. Os botões que controlavam as freqüências mais baixas no mixer tiveram de trabalhar bastante já que o baixinho abusava. Era o grave de uma faixa alternando com o grave da outra, entre bumbos que marcavam, ora uma pegada 4×4, ora o esquema percussivo do 2-Step. Vez ou outra, o Hans chegava mais perto e perguntava o que eu estava achando. Mas não tinha palavras para descrever aquilo. Foi muito surreal. No backstage também troquei idéia com o Chris do Al Haca e o Stefan do Stereotyp, a galera local.

Participar do festival foi fundamental. Não apenas para promover o intercâmbio cultural com a cena no exterior, mas também para fortaceler nosso trabalho no Brasil. A experiência adquirida vai contribuir para a realização de novos projetos e certamente será passada adiante. O mais importante de tudo leva tempo e precisa de muita dedicação. A educação é a chave.

Festival de Viena, Parte I

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  1. Texto sólido e bem tratado! muita responsa ae hein?! rs
    abç.

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