Tranquera 51

Published
06.08.07

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O Tranquera 51 é uma ameaça à sua paciência. Tome muito cuidado pois talvez você possa ficar irritado ao final da seleção. Se a advertência não impedir sua curiosidade, ouça por própria conta e risco, ok? Enfim, de qualquer forma, lá vai. Tudo começa com a fraturadíssima “Biosensors In Tunnel Complex Africa” (Underground Resistance, 1996), uma produção que desafia a estabilidade nos decks. Como num jogo de esconde-esconde, a faixa contém um hibridismo percussivo que muitas vezes faz perder a direção. Nem mesmo a sobreposição de timbres que ocorre durante a mixagem pode garantir o equilíbrio – relaxe e sinta o que lhe convém.

Silicon Scaly traz “Dark Matter” (2005), faixa do álbum homônimo lançado pelo Satamile de Nova York. ADJ segue com “Deeptro” (2003) pelo inglês Touchin’ Bass. O Underground Resistance volta com “Install ‘Ho Chi Minh’ Chip” (1996). Direto do galpão da alfândega, com nota de tributação em mãos, a maravilhosa “Channel Two” do 2562 vem para ligar Detroit, Berlim, Londres e Bristol na mesma plataforma. O aguardado vinil do Tectonic nasceu para causar. Definitivamente um sério candidato ao posto de clássico do gênero.

Decal também marca presença com a paranóica “Final Statement” (2004). Em “White Noise / Black Hole” (2005), Ed DMX, o cara que atende pelo projeto DMX Krew, provoca uma aceleração desenfreada, maquinada pela parafernália maluca do seu estúdio. Enquanto isso Barry Lynn, o Boxcutter, faz toneladas de grave levitarem no meio da sua sala. Acabamento impecável, timbres milimetricamente calculados e nota dez em todos os quesitos de produção, “Hyloz” (2006) é um pingue pongue de samples em convulsão.

Para voltar ao planeta Terra, Boxsaga surge em duas versões: “Back Inside” (2005) original e remix do Earlyman. Tomas Andersson faz bombar com “Congratulations” (Bpitch Control, 2005). Até aqui tudo bem? Então segura na cadeira porque daqui em diante as coisas vão complicar. Vai se preparando.

A névoa é densa em “Distant Lights” (2006) de Burial, a batida é quebrada em “Beyond The Milkyway” (2006) de Kudos (Soundproof Productions) e a casa cai com “Let Me Love You For Tonight” de Kariya. Alguém falou “casa”? Sai correndo porque abriram os portões do cemitério e esqueceram a porta aberta. Se você conseguiu sobreviver até aqui, parabéns. Ou seria “perdão”? Enfim, de qualquer maneira, corra para sair vivo porque domingo que vem tem mais.

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