L_Cio

Published
20.09.08

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Tranquera.org

Laercio Schwantes e seu projeto L_Cio já lançaram diversas faixas por netlabels nacionais e internacionais. Basta conferir o Myspace do artista para ver que o negócio é sério e muito prolífico mesmo. Mas como no mundo virtual as barreiras territoriais não fazem o menor sentido, talvez seja mais adequado dizer que seu trabalho está ao alcance de todos, pronto para ser descoberto e apreciado por quem gosta de boa música.

“Gosto muito do D-Edge, uma das casas mais bacanas de São Paulo. Costumo ir aos sábados na noite Mothership. Lá tive a oportunidade de ouvir e ver Richie Hawtin, Bruno Pronsato, Cobblestone Jazz, Magda, Swaysak e Dada Attack”, conta.

Entre os artistas que gosta, Laercio destaca Digital Madness, Edson Byer, Holocaos e Richard Savani, todos selecionados para figurar na sua mixtape.

Confira o papo com Laercio e ouça a mixtape exclusiva que ele preparou para o Tranquera. Releases digitais de primeira, com qualidade de sobra.

Como você classifica o tipo de som que escolheu para seleção?
Primeiramente classifico como boa música e penso que as tracks passam pelo Minimal Techno, Deep e Techno.

Qual critério você usou para escolher o conteúdo da seleção?
Sons de produtores brasileiros, paulistas, que fazem um trabalho interessante e consistente. Também selecionei pela proximidade que tenho com eles. Solicitei aos artistas que enviassem tracks entre 120 e 125 BPM. Após o envio tive que me virar para mixar todas no mesmo set.

Como você gravou a seleção?
Gravei a seleção no Ableton Live. Toquei como se fizesse um DJ set nele.

Qual é seu setup como DJ?
Bom, não costumo fazer DJ set, essa foi uma das primeiras experiências, mas quando preciso, faço o DJ set no Ableton, com músicas que costumo escutar em casa, no carro. O que faço mesmo é Live PA. Para isso uso microfone, controladores MIDI e um computador.

Como é seu Live PA? Como você produz?
Produzo sempre no Ableton. Utilizo um computador, dois controladores MIDI – um para produção de melodias (o Oxigen 8 da M-Audio) e um para controlar os effects no Live PA (o BCR2000 da Behringer) – e microfone para gravar vozes e produzir ambiences.

Na sua opinião, como é a situação atual dos netlabels brasileiros? Quais deles estão fazendo um trabalho relevante?
Penso que os DJ e produtores brasileiros têm tido mais oportunidades de mostrar seu trabalho graças ao crescimento de netlabels locais. Não conheço muitos netlabels daqui, sou muito novo na cena, mas dos que conheço, os que fazem um trampo interessante são o Tranzmitter, o Psicotropicodelia, o Conteúdo Records, o Solidalab, o Pitanga e o Inminimax Records.

Mas ainda acho que os netlabels de fora têm valorizado mais o trabalho dos artistas do que os netlabels brasileiros. Temos vários casos de produtores locais que são valorizados primeiramente lá fora e depois “aparecem” na cena brasileira.

Você poderia citar artistas brasileiros que estão fazendo sucesso com lançamentos exclusivamente digitais?
Gosto muito dos trampos do Max Underson (Modern Process) e do Dada Attack – que na minha opinião é um dos melhores Live PA da atualidade. Não sei se esse vale, mas o Rodolfo Wehbba faz um ótimo trabalho e o cara é muito gente fina.

O aspecto digital no âmbito da internet, supostamente livre de barreiras políticas e territoriais, gera alguma influência sobre selos e artistas?
Gera um movimento muito interessante de troca e aprendizagem. Percebo que quanto mais interação, mais os artistas e labels podem crescer. Só de pensar que tudo que lancei foi de dentro de casa via internet já é um indício da amplitude de alcance que a web traz para os labels e artistas.

Quanto às questões políticas, vejo um problema: os direitos “legais” dos artistas e os problemas que são gerados por causa de “direitos autorais” – o próprio Tranquera tem enfrentado esse tipo de situação. Quem representa esses “direitos” está mais preocupado com sua situação do que com os artistas. Vivemos numa época em que o artista quer divulgar seu som para poder tocar e não para vender CDs ou ter suas músicas baixadas em plataformas de venda de música.

Quando você começou se envolver com música?
Tenho formação musical. Estudei flauta transversal dos 7 aos 14 anos de idade. Minha mãe é bacharel em órgão tubular litúrgico e meu pai também tocava flauta. Após esse intenso contato com a música não me envolvi mais com nenhum instrumento musical. Até que em 2005 fui numa rave e fiquei curioso sobre como as músicas tinham sido feitas. Alguns meses depois fui fazer um curso para entender como funcionava a produção de música eletrônica e aprendi sobre os softwares Acid e Reason.

Fiquei maluco ao ver as interfaces dos programas e saber que poderia tocar “todos” os instrumentos através do computador. Não parei mais. Durante esse tempo tive a oportunidade de encontrar pessoas que me ajudaram muito na construção do que tenho feito hoje. Dentre eles meu “professor” George Alveskog, produtor musical que fazia parte do projeto Einstein On The Beach, que me ensinou muito sobre produção e me apresentou o Ableton. Hoje tenho dedicado todo meu tempo livre à produção musical e tenho tido o apoio de alguns netlabels e labels daqui e de fora para divulgar meu som.

Mais alguma coisa?
Gostaria de agradecer imensamente esse espaço. Tomara que possamos trocar mais experiências musicais a partir de agora. Ah! Feedbacks sobre a mixtape serão muito bem-vindos!

L_Cio Tranquera Mixtape

01. L_Cio “Poucas Palavras” Klik Klakk Music forthcoming
02. Holocaos “Giallo” Tranzmitter (2008)
03. L_Cio “Batuqueum” White In Music forthcoming
04. L_Cio “Batuquedois (Richard Savani Remix)” Klik Klakk Music forthcoming
05. L_Cio “Muitas Palavras” Klik Klakk Music forthcoming
06. Richard Savani “Intra Tech” Unreleased
07. L_Cio “Ave Branca” Unreleased
08. L_Cio “Minidrum” Wazzotic Records forthcoming
09. Edson Byer “Anarcosfera” Tranzmitter (2008)
10. Digital Madness “Duhash” Unreleased
11. Max Underson “Cronic 26″ Unreleased

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2 Comments

  1. ueba!!! brigadão pela força Tranquera!!!!

    abx!!

  2. Muito bacana o projeto L_CIO e parabens pelo set. Vejo um set com musicas super harmonicas, e mesmo tendo poucos beats ou groove, vejo a transicao do deep, para o techno e etc.

    Um abraco

    Moderno

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