Lucas Santtana

Published
09.10.08

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Tranquera.org

Lucas Santtana é um músico baiano que já trabalhou com grandes nomes da música brasileira. Como instrumentista tocou ao lado de Chico Science & Nação Zumbi e seu nome está devidamente creditado no seminal Afrociberdelia. Também já esteve com Marisa Monte, Fernanda Abreu, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

O artista coleciona destaques nas revistas Down Beat, Rolling Stone e até mesmo no jornal New York Times. Lucas também mantém o site Diginóis, onde é possível fazer o download das suas produções e remixes de outros artistas, entre eles MPC do Digital Dubs e Tranquera.

Como você define o seu trabalho?
O máximo que posso dizer é que gosto de fazer uma música que nem eu mesmo sei o que é.

Como você enxerga a música brasileira hoje? Qual a importância do legado de artistas que vieram antes você? Quais deles influenciam diretamente a sua criação?
A música brasileira nunca foi tão prolixa. Nunca houve uma época com tantos trabalhos autorais legais e diferentes entre si. Aquele tipo de música que cabia no rótulo MPB já não comporta mais essa geração. A importância do legado é grande e tenho muito respeito por ela. Todos me influenciaram de alguma forma. Ouvi muito MPB na minha adolescência na Bahia. Mas posso destacar o Jorge Ben, o Tom Zé e o Caymmi.

O que é a nova música brasileira? Existem elementos que a caracterizam? Quais são eles?
Outro dia li em algum blog o termo “e-MPB”. Achei interessante pois a internet é a morada que une todos esse nomes. É onde você pode juntar todo mundo. Acredito que a nova música brasileira deixou para trás os formatos da indústria, sejam eles musicais, marqueteiros ou logísticos. Por exemplo, não existe mais um padrão de som nos discos, cada um soa bem diferente do outro. Até os anos 90 ainda existia esse padrão sonoro de rádio e tal. O elemento que une essa geração é a liberdade de fazer o que quer e ter que conviver com a dificuldade que isso representa no dia a dia.

Qual sua opinião sobre a produção musical no Brasil hoje? Baseado na sua experiência, como é o dia a dia dessa atividade no nosso país?
Produzir está mais fácil, nunca se produziu tantos discos. A distribuição é que sempre foi o gargalo. Mas como está todo mundo disponibilizando os CDs agora e vendendo basicamente em shows, acabou esse lero lero. Todo mundo vai falar e vender para um número “x” de pessoas. O “sucessão” está cada dia mais difícil. É a tal teoria da calda longa. Divagar e sempre.

Como a música jamaicana influencia o seu trabalho? Quais outras influências incidem diretamente sobre a sua criação?
Cotidianamente. Sou fã confesso da música jamaicana, desde os anos 50 até hoje. E quando a gente fala de música jamaicana não pode ficar restrito à ilha pois ela influênciou toda a música pop produzida no mundo, independente do estilo. Curto muito os crossovers, as experimentações, os mashups, enfim, quando você não pode mais dizer que é isso ou aquilo. E claro, música de origem negra, rural ou urbana, roots ou feita com máquinas, seja ela qual for.

O que há de mais interessante em termos musicais hoje? O que chama sua atenção?
Sempre me liguei muito em textura musical. E até hoje é assim. Gosto de letra de música, de harmonia, melodias, rítmos e tal, mas o que me chama a atenção primeiro e me fisga é a textura final da faixa. Canção hoje em dia para mim já é arquivo sonoro e não apenas uma bela canção feita ao violão ou ao piano. Ou seja, já considero gravar com tal microfone, como mixar freqüências, masterização, etc. Quando vira AIFF, WAV ou MP3, aí sim está pronta a música. Já vi muitas boas canções que quando transportadas para o CD perderam sua força.

Você conseguiria destacar algum aspecto interessante quando se fala de produção musical e tecnologia no Brasil?
Aquilo que falei lá em cima. Nos anos 70 os discos no Brasil tinham um som característico, porque ninguém ficava imitando o som das produções gringas. Apartir dos anos 80 esse padrão Los Angeles contaminou o mundo todo. Agora com as produções caseiras e essa mentalidade por parte dessa geração, que busca o som com liberdade até ele chegar ao arquivo sonoro, trouxe de volta esse diferencial nos discos feitos no Brasil.

Como você e seu trabalho se relacionam com as possibilidades do mundo digital? Você é um adepto das inovações tecnológicas mais recentes? Por quê?
Tecnologia sempre existiu. Há essa confusão em relação ao que se entende por tecnologia. Um papel higiênico é tecnologia. Em relação ao uso de máquinas, dentre elas o computador, posso dizer que só me trouxe benefícios. Do email aos plugins dos softwares musicias e por aí afora. Procuro estar atento a tudo, as inovações, mas não sou escravo do “upload”, até porque as máquinas vintage estão voltando com tudo. O importante é saber o que lhe interessa na prática e pronto.

Você curte o Tranquera?
É o lugar por onde me atualizo em relação ao mundo do Dubstep, gênero que curto a vera. E por ser mais um blog com interesse em compartilhar e difundir idéias, o que é o nosso humilde papel nessa big Babel. Até rimou olha ai! Hahahahahaha!

Mais alguma coisa?
Tem um verdinho ai?! Hehehehehehe.

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3 Comments

  1. Legal a entrevista gostei..
    Tô de acordo com o pensamento do Lucas.!!!
    Vou conferir o som do cara..!!!

  2. K.

    e eu vou queimar o verdim.
    muito boa a entrevista.
    a tecnologia é isso mesmo. apenas o instrumento (seja um violão ou um computador)…

  3. Tem um verdinho ai
    huhuhhuh

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