XRS


Published
15.10.08
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Tranquera.org

Xerxes de Oliveira é um dos grandes nomes da música eletrônica nacional. É dele – em parceria com DJ Marky – o sucesso “LK”, som que traz samples de Jorge Ben e Toquinho. Com seu projeto XRS Land, ele transforma o Samba em beats globais.

Confira a entrevista com o produtor e saiba mais sobre seus projetos. Ouça também a mixtape exclusiva que o DJ preparou para o Tranquera.

Como é viver e trabalhar no Brasil? Sua atividade profissional é compreendida e valorizada no nosso país?
É difícil viver e trabalhar com música no Brasil. Apesar de termos feito muitos progressos nesse sentido, ainda temos muito o que aprender. No caso da música eletrônica a situação é ainda mais complicada. Eu me considero uma pessoa de muita sorte por ter encontrado e trabalhado com profissionais que sempre levaram esse trabalho tão a sério e que ajudaram a construir uma cena musical tão rica como ela é hoje, praticamente a partir do nada. É uma satisfação enorme ter contribuído para isso e sempre ter tido passe livre para circular e colaborar com todos eles. Quando penso que pago minhas contas fazendo aquilo que mais amo, isso já valeu por uma vida inteira.

Há um mito de que é preciso fazer sucesso lá fora primeiro para depois ser reconhecido no Brasil. Você acredita nisso? Por quê?
Putz, não é mito, é fato. Desde que surgiu, o Brasil é notório exportador de matéria-prima e importador de idéias. Mesmo quando elas nascem aqui mesmo, precisamos de uma embalagem e um carimbo de aprovação do exterior para então gostarmos de algo. Até mesmo a expressão “lá fora” já traduz esse sentimento de expectativa, ninguém diz “aqui dentro”. O Innerground nasceu como um esforço para mudar esse sentimento, como o próprio nome já diz.

Como funciona seu processo criativo? Como você cria suas produções? Existe um método específico ou uma rotina de trabalho?
Hummm, não tenho. O que fiz foi aprender ao máximo a ferramenta que uso, no caso o software Logic Pro e os plugins externos Kontakt e Phatmatik Pro. Assim fico mais sossegado para realizar qualquer coisa que me venha à cabeça.

Geralmente essa qualquer coisa vem de uma experiência pessoal, um livro, um filme, por aí vai. Daí procuro traduzí-la na forma de sons. Às vezes o processo leva instantes ou horas, às vezes dias ou até meses ou anos. Algumas idéias são capturadas no ar, outras levam mais tempo, vão se sedimentando. Tudo depende do estado de espírito, companhia ou da proposta musical a se realizar.

Quais trabalhos você se orgulha de ter realizado? Por quê?
Todos! Adoro aprender, é muito legal sempre poder enxergar a realidade através de um novo ponto de vista. As realizações são uma grata lembrança das situações, lugares e pessoas que tive oportunidade de conhecer através do meu trabalho. Minha biografia é uma linda fotografia da minha carreira. Por isso sou workaholic, tem 15 anos que trabalho sem tirar férias!

Qual sua opinião sobre a música no Brasil hoje? Você gosta de como as coisas são feitas? Você se sente confortável com a situação atual? Por quê?
Sobra criatividade, falta fé nela. Daí a gente morre de medo e se agarra desesperadamente à fórmula que funciona, desgasta quem forma opinião, que fica sem saber para onde correr e no final ficamos todos com a auto-estima lá no subsolo.

Resultado: todo mundo tentando fazer música igual ao estrangeiro, que por não ter nem um décimo desses problemas, faz dez vezes melhor porque é autêntico. Não, não me sinto confortável com essa situação. Por isso que sou chato desse jeito e admiro os baianos, que estão um passo à frente nesse sentido.

Se você fosse encarregado de tocar o Ministério da Cultura com plenos poderes, por exemplo. O que você faria?
Abriria concurso público para pegar os melhores estudantes das universidades públicas como equipe e tentaria com o Ministro da Educação colocar ensino de teoria musical, artes cênicas e dança desde o primário. E melhorar os salários dos professores. Cultura e literatura não é luxo, é nosso maior tesouro.

Como você gravou esse mix? Como você escolheu a seleção? Alguma faixa é especial? Por quê?
A seleção foi gravada de forma bem sossegada, não tem beatmatching, é para escutar e relaxar. Esse mix é em homenagem a um grande amigo meu, o Gü-mix, de Viena, Áustria, que toca uma festa às segundas-feiras, o Dub Club, junto com o Sugar B, a Sweet Susie e a Joyce Muniz. É um cara que abriu muito minha cabeça para o Dub e Reggae além de ter um amor enorme pelo Brasil! O destaque vai para a primeira faixa, “Retirantes”, do Dorival Caymmi que dá o tom para o restante da seqüência. One love, one nation!

Quais são seus novos projetos e o que deve surgir em breve?
Tem o Tupy, que é um selo digital que a gente está tocando com o objetivo de remover barreiras entre estilos musicais e apresentar música brasileira de vanguarda para todo o mundo.

O Drumagick foi o primeiro lançamento, com um Funky House de primeira e um Drum’n'bass avassalador. Teve também o Menorah, que é uma revelação do Techno de Belo Horizonte, com duas faixas maravilhosas. O terceiro foi o Peixe Kru, do Rio de Janeiro, que fundiu Liquid Funk com Blues. O quarto release sai agora no dia 17 de Outubro e será a volta do meu projeto, o XRS Land, dessa vez ainda mais influenciado por Samba.

Também estou na etapa final de mixagem de uma banda Punk eletrônica daqui de Belo Horizonte que estou produzindo, o Digitaria. No Reino Unido saíram recentemente os meus últimos singles do XRS, como artista exclusivo do selo Underground Horizons Music, com as faixas “Mad Scientist”, “Tropical Funk”, “Kagema” e “Teleporter”.

Tem também saindo do forno remixes meus para o álbum novo da Fernanda Porto, Jazz Thieves (Reino Unido), Kez YM (Japão) e parceria no álbum de estréia do projeto Heliponto, da minha parceira tupiniquim de selo Luciana Amorim. Em seguida, começo a trabalhar na finalização do meu álbum novo, que finalmente sai em 2009, pelo Tupy.

Você curte o Tranquera?
Tranquera rox, mano! Pergunta para o vizinho do andar de baixo, o chão aqui estremece. Hehehe.

Mais alguma coisa?
Sim! Queremos um set de Dub influenced Drum’n'bass pelo DJ Ney Faustini. Com direito a “Little man”, do Calibre e Digital! Está feito o pedido!

XRS Selectas Hardwork Tranquera Mixtape

01. Dorival Caimmy “Retirantes” Som Livre
02. Coxone Dodd “Drumsong Rhythm” Digital B
03. Bounty Killer “Stamina” Hands & Heart
04. Luciano “Babatunde Rhythm” Henfield
05. Bounty Killer “Icecandalize” Big Yard
06. Morgan Heritage & Beres Hammond “Help The Needy (Rastramental)” 71
07. George Nooks “Just Call Me” Energy Productions
08. Bulby, Fatta & Karl Toppin “Rhythm Soldier” Fat Eyes
09. Luciano “World Leaders” Roots Rockers Music
10. Overproof Soundsystem “Watch What You Put Inna…” Different Drummer

 

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9 Comments
  1. FLX

    Muito boa a entrevista, estou baixando o set agora!!!

    Gostaria de fazer uma pergunta ao XRS: você ainda tem alguma ligação com a Innerground?se tiver qual?

    []s
    FLX

  2. L.Tanna

    Muito legal…
    O Xerxes foi o primeiro cara que me passou um programa de produção..
    Lá no extindo club base.. quando reabriu e teve algumas festas de DnB….. . . . .
    O cara é autêntico.. e disse tudo.. nego quer ser o que não é.. tentat fazer o que já é feito..
    I ai.. acrescenta em que ??? vamo colocar as próprias idéias no que gostamos de fazer,,
    Só assim vai fazer a diferença.. mesmo que pra poucos ouvintes..hehehehehe..
    Xerxes.. logo lhe passei alguma coisa interessante pra vc ver no que transformou minhas idéias
    de 10 anos atrás..!!!!!!!!
    É isso ai Brunão..
    É isso ai Xerxes.. tamos ai.>!!!!!
    até..!!

  3. Ney Faustini

    Wow, pedido aceito e já separando os tunes! ;]

    Respect mestre!

    N

  4. Ronald

    Xrs eh o cara…

    big respect!!!!!

    R.

  5. DJ Rubens Lima

    Muito boa a entrevista, é exatamente isso que está acontecendo, o pessoal não está utilizando a musicalidade brasileira nas produções e acaba sendo mais uma gota no oceano.

    Big Respect to Tranquera and XRS

  6. Salese

    XRS é lenda mano, muito boa a entrevista, só esperando esses novos lançamentos do cara.
    A seleção ficou bem cabulosa eu diria…

  7. Freeky

    baixando!!
    hehee

  8. Hugo

    O problema de importar o som do estrangeiro não acontece só no Brasil, mas sim em grande parte dos países não-anglófonos. Artistas que pensam que tudo o que vem de Londres tem um carimbo de qualidade (quando, por vezes, nem tem) é coisa que não falta.

    Felizmente há sempre alguém que consegue quebrar essa barreira e coloca nas suas produções o toque, a cultura, os sons das suas raízes: Aconteceu no Brasil e também nos finais dos anos 90 com o house francês ou em Portugal quando 2 ou 3 produtores decidiram misturar techno e house independentemente dos gostos fundamentalistas dos fans de cada um dos géneros musicais… E resultou!

  9. Relax 4 Fun

    XRS respecta!!!

    Produtor como poucos no mundo… músicas criativas, fusões de ritmos, nos minimos detalhes…

    Saudades quando o extinto Lov.e Club trazia XRS para discotecar….

    Anyway, bom saber sobre os seus projetos novos em andamento!!!

    R4F
    Catapulta Records

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