
Alexandre Youssef é sócio do Studio SP, uma das casas mais importantes do circuito de entretenimento noturno em São Paulo hoje. Ele também escreve para a Revista Trip mensalmente. Além disso, o Overmundo – plataforma digital colaborativa brasileira, que ganhou o Golden Nica no Prix Ars Electronica 2007 – é projeto seu ao lado de feras como Hermano Vianna e Ronaldo Lemos.
Como você enxerga o circuito de entretenimento noturno hoje em São Paulo? Há algum caso ou formato que mereça destaque especial? E no resto do Brasil? Você tem alguma idéia de como as coisas estão caminhando?
Acho que São Paulo vive um momento especial. A diversidade e a qualidade de clubes e festas credenciam a cidade com uma das melhores noites do mundo. Além disso, existem fatores econômicos – como o desenvolvimento do país – que democratizam a noite.
Destaco a relação entre os donos de clubes da cidade: nunca foi tão amistosa e produtiva. A maioria já pensa a cena como um setor econômico, que tem que ter voz ativa, relação e representação política. O movimento Noite Viva – de valorização da noite – criado em 2008, deve se fortalecer em um futuro próximo.
Acho que existe coisa muito boa no Brasil todo. No Rio, por exemplo, tem o trabalho do Grupo Matriz, com nove casas de qualidade e a Moo – com uma das melhores festas eletrônicas. Sem contar a explosão que nunca acaba do Funk Carioca, hoje copiado e modificado em todas as periferias e centros do mundo. Em Recife, há o caldeirão criativo de sempre. No Pará tem o Technobrega, que revolucionou o mercado. Enfim, tem coisa boa no Brasil inteiro. Estamos num ótimo momento.
Baseado na sua experiência como sócio do Studio SP, como é possível oferecer entretenimento noturno relevante na cidade de São Paulo hoje? O cenário é muito adverso? Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por vocês?
Do ponto de vista artístico, para um clube conseguir fazer algo relevante, tem que ter alma, captar o que de fato está acontecendo em uma ou mais cenas e trazer os verdeiros protagonistas para o palco. Muitas vezes a casa não vai lotar, mas o processo de formação de público para a nova música é algo que aproxima tanto o público como o artista do clube. Foi assim com o Studio SP. As dificuldades são as de sempre: incompreensão do mercado sobre a importância dos nichos e das cenas alternativas e dificuldades com o poder público.
Na sua opinião, o poder público pode ajudar ou atrapalhar a iniciativa privada nesse segmento? O governo atual representa algum tipo de interesse nesse sentido? Se sim, quem são esses representantes e o que eles estão fazendo exatamente?
Pode ajudar sim. Fomentar a noite e as casas de show é investir em empregos, turismo, desenvolvimento local, revitalizacão de áreas degradadas na cidade e inclusão social. Dá para associar a vida noturna de São Paulo a todos esses tópicos. Não existe ninguém fazendo isso hoje no atual governo municipal.
Como está a produção da nova musica brasileira hoje? Nesse ambiente sonoro o eletrônico demonstra alguma expressão? Quais são as novas tendências? Qual sua opinião sobre elas?
Acho que vivemos um resgate da música ao vivo autoral. Mas não é uma coisa parecida com o que rolou nos anos 80 com o Rock, e no início dos 90 com o que se chamou Nova MPB. Agora, com a internet e tantos nichos diferentes, dá para construir uma carreira de forma independente. Assim, muitas bandas que têm 300 ou 400 fãs conseguem viver de música, tocando três ou quatro vezes por mês. Através do Myspace e do Orkut, elas conseguem se comunicar diretamente com seu público, que lota os shows e garante uma boa bilheteria. Isso gera um ambiente muito saudável e criativo. Cada vez mais gente está entrando nessa.
A música eletrônica, por sua vez, continua bombando. Especialmente se considerarmos o Funk Carioca, o Dub, o Technobrega e o Forró Eletrônico como parte disso. Claro que muitos nem podem ouvir falar nisso. Acham que a música eletrônica só é aquela que se toca em clubes. Mas, de todo modo, a mesma estrutura de nichos acontece também com a música eletrônica. Só que não dá para falar que o Techno, o House, o Trance, o Electro ou até mesmo o Hip Hop sejam novidades – embora continuem legais, para quem gosta. Do ponto de vista popular, a apropriação do Rock para fazer misturas e versões foi uma saída para muita gente da música eletrônica.
O que sua experiência como coordenador de projetos voltados para juventude diz sobre a situação atual da cultura e da expressão jovem no país? Como você avalia o momento atual? O que ainda precisa ser feito? Como isso é possível?
Acho que vivemos um paradoxo. Nunca tantas coisas legais feitas por jovens tiveram o impacto e a visibilidade como agora. Mas ao mesmo tempo muito pouco se evoluiu em políticas públicas culturais voltadas para o jovem. É engraçado: muitos governos tratam as principais expressões da cultura jovem do país como atos marginais. Alguns exemplos: a eterna criminalização dos bailes Funk no Rio, a ação idiota de se apagar os grafites de Os Gemeos em São Paulo, o nojo demostrado pela elite em relação ao Technobrega, o preconceito em relacão à vida noturna.
A explicação política para isso é a total falta de informação e conservadorismo cultural de quem está a frente de cargos públicos. Vejam, estou falando em conservadorismo cultural e isso muitas vezes inclui não só a direita, mas muita gente da esquerda também. Sou do time do Hermano Vianna e para mim não existe cultura pura. Todas as culturas estão em constante transformação e na maioria das vezes o jovem é quem opera essa transformação. Muitas vezes o poder público não entende isso e adota uma postura careta em relação à cultura jovem. O que fazer? investir em banda larga de graça para todo mundo, para todos se conectarem em rede. Isso sim facilitaria a vida da produção cultural jovem. Outra coisa: definir políticas que levem em conta o comportamento jovem.
Qual a importância da internet para o desenvolvimento e a difusão de novas expressões culturais no país? Como é a atuação do Overmundo nesse sentido?
Total. É a coisa mais importante que existe no momento: banda larga livre e de graça para todos. Isso seria uma revolução. O Overmundo é um exemplo dessa importância. Cumpre um papel interessante na difusão da cultura brasileira.
Qual sua opinião sobre o Creative Commons? Como é possível promover cultura de forma livre, sem esbarrar no direito autoral regido pela indústria cultural atual?
Sou 100% favorável. A promoção real da cultura livre só se dará quando a sociedade se conscientizar da sua importância e exigir o Creative Commons em tudo. Para isso acontecer é preciso, antes de mais nada, de informacão. O Creative Commons já dá soluções, através dos diversos tipos de licença, para as pessoas não esbarrarem no direito autoral regido pela grande indústria.
Na sua opinião, o que há de mais interessante sendo feito hoje em se tratando de cultura, música e expressão artística de uma forma geral no Brasil? Alguma aposta em particular? Algum talento específico no horizonte?
Uma delas é a explosão da música ao vivo autoral em clubes e casas de shows. Outra é a maravilhosa nova cena de artes plásticas que se formou em São Paulo, depois de iniciativas como a galeria Choque Cultural, que reuniu e profissionalizou muita gente boa. Agora, a única aposta que faço – afinal seria injusto apostar em alguém no meio de tanta gente boa que convive comigo no Studio SP – é na volta do Timão para primeira divisão.
Você acompanha o Tranquera? Qual sua opinião sobre essa plataforma virtual?
Gosto muito. Até adicionei como link do meu blog.


01.03.10
ola, Ale Yousself, vi sua materia no jornal diario de são paulo, sobre a cidde de sp.
por gentileza pode entrar em contato pelo meu e-mail ?
obrigado,, aguado, um abração,,,
04.08.10
Olá Alexandre, sou Yvete, irmã da Iv e, gostei muito de seu site , pode contar comigo como da outra vez…..
Adoro sua namorada, estudei com a mãe dela no ginásio.Ela é uma graça e você também, formam um casal
incrível.
Bola pra frente, todos por aqui estão torcendo por você e olhe,…. que nossa família é grande,
Boa Sorte,!!!!
Yvete.