Monolake, Burial e o peso da simplicidade


Published
16.06.09
Permalink

2 Comments
Comment

Tranquera.org

Não é possível falar de Robert Henke sem citar sua contribuição para a música eletrônica que conhecemos hoje. Ele é um dos nomes por trás do desenvolvimento do Ableton Live, um dos softwares de produção e performance mais bem sucedidos no mercado atualmente. Além disso, Henke também produz música e desenha instalações interativas. Monolake é seu projeto sonoro mais conhecido.

Monolake “Atlas”

 

Henke lança mão dos últimos recursos tecnológicos de seu tempo em “Atlas” para chegar numa solução sonora que Burial alcançou sozinho em seu quarto, cercado de discos antigos e softwares simples. A ironia é óbvia e não pode ser negada: para quem conhece o Hyperdub, o Garage do Monolake não cola.

Enquanto o alemão se preocupa com freqüências, filtros e detalhes que não fazem a menor diferença para a maioria das pessoas na pista de dança, o britânico avesso à flashes é visceral, emotivo e autêntico na sua dimensão musical. Diante disso o Monolake perde força, fazendo a simplicidade e a postura artística de Burial pesarem sobre suas costas.

Monolake “Titan”

 

Os fãs de Basic Channel e Rhythm & Sound devem gostar de “Titan”. Seus synths são sólidos e balançam com dificuldade numa atmosfera congelada e pálida, de ambiências densas e febris. Sua estrutura rítmica é rígida e linear – bem musculosa mesmo. Diferente de Moritz Von Oswald, Henke é racional demais e economiza nas baixas freqüências do espectro sonoro. Basicamente, o grave está centrado nos bumbos e o bassline conduzido pelos synths não dizem muita coisa.

A música de Henke ao mesmo tempo assusta e encanta, justamente pela falta de calor humano e o excesso de elementos sintéticos nas suas composições. O Monolake tem seu mérito na história da música eletrônica contemporânea mas esse lançamento não é exatamente uma novidade para aqueles que acompanham os percalços recentes da Bass Culture global.

Saiba mais

Embora Torsten Profrock colabore com o Monolake ocasionalmente, o último vinil do projeto traz apenas o nome de Henke nos créditos. A masterização fica por conta de Rashad Becker, engenheiro de som do Dubplates & Mastering em Berlim.

Tags:
Share this
2 Comments
  1. laercio

    ……… críticas pesadas como os graves da Bass Culture!!!!!!!!!!!

    ;)

  2. Uma geração inteira de produtores britânicos fizeram muito mais do que carcaças de Garage com clima de filme de terror para as pistas… Basta pegar o período por volta dos anos 2000 na história da Urban Music no Reino Unido e você vai sentir o drama… A questão é justamente essa… Sentir o drama… Porque quando o grave existe ele pode ser sentido com o corpo todo na frente do sound system… Muitos de vocês já ouviram essas sonoridades por aqui, inclusive… Também já devem ter conferido esse lance ao vivo nas gigs por aí…

    Não fosse o Martin Clark compilar parte dessa narrativa da Bass Culture pelo Tempa meses atrás… Essa história ficaria completamente perdida para a maioria das pessoas… Benny Ill, El-B, Groove Chronicles, Jay Da Flex, Oris Jay, Zed Bias, Zinc… Esses são apenas alguns nomes… O Garage com grave mesmo é o que precedeu o que se convencionou chamar de Dubstep… E disso nesse disco o Monolake não chega nem perto… Infelizmente…

Leave a Reply

Copyleft 2005-2010
Licensed under a Creative Commons license
This site is better visualized with Mozilla Firefox