
Alguns artistas da cena Drum’n'bass já experimentaram produzir faixas de Dubstep: Digital, Skynet, Breakage, Chase & Status, Marcus Intalex, Instramental e D-Bridge provaram as baixas freqüências do espectro sonoro. Chega a vez da dupla Kryptic Minds lançar seu álbum pelo Swamp 81 de Loefah.
Loefah não é o único que aposta na música do Kryptic Minds – Pinch também acaba de lançar um single com o duo pelo Tectonic. Entre ambiências assombradas e beats de congelar a espinha, One Of Us chega com mais de uma dezena de produções inéditas – boa parte delas rodando por volta de 141 BPM. O CD já pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo. Confira o tracklist.
One Of Us
01. Intro
02. One Of Us
03. Generation Dub
04. Stepping Stone
05. Something To Nothing
06. Six Degrees
07. Three Views Of A Secret
08. Secure Lost
09. Dissolved
10. Chosen Few
11. Organic
12. Distant Dawn
Ouça o preview de algumas faixas selecionadas.
Kryptic Minds “One Of Us”
Aqui o bassline é vitaminado e alguns elementos percussivos surgem de forma complementar. Só na frente do sound system para saber a real.
Kryptic Minds “Six Degrees”
Nesse som os synths barulhentos pontuam o que não pode ser ouvido com simples fones de ouvido. Mais um para conferir ao vivo na pista.
Kryptic Minds “Distant Dawn”
Atenção para a capacidade de composição e o potencial artístico da dupla.
Halfstep, inércia e ausência de groove
A armadilha que mais aprisiona quem se aventura produzir Dubstep pela primeira vez é a inércia que o estilo pode sugerir – principalmente se tudo o que você fazia antes era extremamente rápido e isolado em BPMs que não dialogavam com outros gêneros musicais. O Halfstep deixou de ser novidade e suas fórmulas já foram superadas ao longo da evolução da nova Bass Culture.
Alguns produtores de Drum’n'bass procuram o Dubstep para trabalhar o espaço musical encontrado em abundância no estilo mas é preciso ser muito criativo para sair do padrão e construir algo realmente distinto – Skream, Benga e outros artistas de talento sabem fazer isso muito bem. One Of Us traz uma grande quantidade de paisagens soturnas mas o groove não parece brilhar no horizonte do álbum.
Fãs do estilo e iniciados no assunto querem sentir o grave que bate no sound system e faz tudo tremer. Nisso o Kryptic Minds até pode surpreender. Porém, quando o assunto é club e pista de dança, o excesso de experimentalismo pode assuntar. O trabalho da dupla é interessante e bem executado mas a pergunta que não quer calar é: como viver de música que dificilmente se apresenta ao vivo? A solução seria produzir trilha para filmes? Fazer sons para videogames? Esse é o dilema de artistas como o Kryptic Minds.
Dubstep na sua versão introspectiva
Infelizmente One Of Us é para poucos: seu clima cinematográfico denso e completamente imerso em ambiências claustrofóbicas pode não soar atraente para quem busca ritmos frenéticos e acelerados. Embora seja bem produzido e acabado, o álbum é indicado para audições no conforto do lar. Não se trata de Dubstep na sua versão mais agitada, dançante e explosiva, mas sim introspectiva.

