O Dubstep e o pop


Published
13.06.11
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Deadmau5 and Skrillex

A assimilação do Dubstep pela música pop pode ser mais natural do que parece, mas há algo de bom a se tirar disso? Saiba mais.

por Igor Cordeiro, Colaborador do Tranquera

Dar uma olhada rápida na seção do Beatport dedicada às faixas mais baixadas de (supostamente) Dubstep pode ser desesperador. Se tudo que o gênero tivesse a oferecer fosse o Wobble Bass e a batida sincopada, certamente esse som não faria parte de uma cena tão interessante de acompanhar.

Skrillex fail

Referências óbvias

Essa confusão é consequência de algo já observado pelos DJs e jornalistas Claudia Assef e Camilo Rocha: a assimilação em grande escala, por parte da música pop, de elementos da música eletrônica. Em todos os casos é uma apropriação preguiçosa de referências óbvias e no Dubstep não é diferente, tanto que o som do Skrillex está mais próximo do Electro House do que qualquer outra coisa. Por mais que o rapaz se esforce para parecer mau, trabalhando até com o Korn, ele só consegue ser mais irritante e ganhar mais haters a cada dia.

Interesse aleatório

O recente interesse pelo gênero às vezes chega a ser tão aleatório que a compilação Blow Your Head, concebida pessimamente pelo Diplo no seu selo Mad Decent, mistura Rusko e Borgore com Zomby e Untold, além de ter um subtítulo absurdo: “Diplo presents Dubstep” – isso tudo em 2010!

Executáveis nas FMs

Mas nem só de indignação é feita essa história. Tomando outro caminho, temos artistas como Katy B e Magnetic Man lançando faixas que, mesmo não sendo exatamente inovadoras, demonstram a maior bagagem de seus produtores. Há também artistas ligados ao Dubstep remixando faixas pop e alcançando resultados exemplares, como Guido e sua versão de “Stuck”, da cantora Lauren Pritchard – fina e completamente executável na maioria das FMs.

LOL video screenshot

O projeto LOL

Recentemente, o selo Non Plus, dos caras do Instramental, lançou o primeiro álbum do projeto LOL, um interessante cruzamento entre Dubstep, Shoegaze e pop. Vale ouvir e perceber o que é possível fazer com um pouco mais de esmero na produção, mesmo utilizando referenciais já batidos.

Para ficar desnorteado

Mas se o caso é desnortear qualquer fã de Skrillex, vá com a última pedrada de Coki. O single “Boomba” é um 12″ esquisitíssimo e recheado de… Wobble.

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19 Comments
  1. Glauco Kalangoci

    Cara, você pode até não gostar de Skrillex, mas dizer que ele é um mau produtor? Sinceramente, você me mostrou que não conhece de músca.

  2. Glauco… Em nenhum momento o texto diz que o Skrillex é mau produtor… Mas vale a pena pensar na questão: qual o valor de um “produtor” se ele só se apropria de “referências óbvias” para fazer algo que não agrega em nada ao espírito revolucionário que sempre marcou o Dubstep de verdade? Aliás… Outra pergunta: o Skrillex faz Dubstep de verdade mesmo? Como o próprio texto diz… “O som do Skrillex está mais próximo do Electro House do que qualquer outra coisa”…

  3. Caique Santiago

    Muito bom o texto, estava com saudades deles – só estava vendo mixes na primeira página aqui. Continue assim, mostrando que cada um tem que saber em que quadrado se encaixa. Se me tornar produtor um dia, nunca vou me “auto-entitular”. Vai que levo umas pedradas de fãs defensores do estilo… Hehehe…

  4. Obrigado Caique! A idéia é ampliar o número de colaborações no Tranquera para deixar o site cheio de informações e opiniões relevantes mesmo… A correria das gigs pode atrapalhar um pouco a agenda… Mas estamos conseguindo manter o ritmo… Perdendo algumas noites de sono, é claro… Hahahahahaha! Enfim… Vale a pena o esforço… Abração!

  5. Bruno Bezerra Nepomuceno

    Skrillex é um bom produtor, mans. No meu HD fica em uma pastinha chamada Housestep. Esse som aqui é interessante: com remix do Noisia, lógico.

  6. Thiago Pereira de Souza

    Pois é… Como adorador da parte mais “desgraceira” do Dubstep, estou me ferrando nessas novas produções. Tem algumas coisas bem produzidas e outras terríveis. Mas no meu caso é como se um fã de Hatebreed fosse obrigado a ouvir Hateen! Uhauauha! Desculpas aos eventuais fãs… E agora? Quem poderá me salvar?

  7. Thiago… Sempre vai existir som para todos os gostos… O que a gente não pode é ficar parado no tempo e deixar de mostrar a evolução do gênero… Esse é o nosso compromisso… O Tranquera é uma pesquisa aberta para todos…

  8. Caique Santiago

    Assim como o Dubstep se “desdobrou” e chegou em Skrillex, o mesmo aconteceu com Addison Groove, Boddika e outros do Future Dubstep. O que falta é a galera que curte os “filth rasgadeira” saber que eles existem também e que antes de Skrillex, caras como Mala, Kode 9, Goth Trad, Skream, Youngsta e outros trabalharam muito para que o estilo se tornasse um pouco mais popular… Digamos que… Já passou essa meta!

  9. Sim Caique… É por aí mesmo…

  10. Oswaldo F

    Hoje quando procuramos por Dubstep logo conhecemos a UKF, ouvimos muito pop, etc. Cabe a pessoa descobrir mais sobre a cena e o que já se passou. Eu por exemplo comecei a ouvir os primórdios do gênero e percebi como estava enganado sobre o Dubstep. Eu particularmente me apaixonei por esse estilo envolvente que eram produzidas as tracks e cada vez que ouço releases do Skrillex me sinto mais incomodado com esse ambiente meio “barulhento” que ele cria. Enfim, queria aproveitar para tirar uma dúvida: vou tocar em um festival de Rock aqui no interior do Rio, uma hora de Dubstep e Drum’n'bass. Já ouvi uns sets que rolaram no Vegas e queria saber como é a adaptação da galera ao estilo mais “old school”. Abraço!

  11. Oswaldo… Cada DJ tem um estilo… O “old school” pode ser muito abrangente… Pode ser UK Garage para uns… Hardcore Breakbeat para outros… Depende da educação musical do público… Qual “old school” você diz? Boa sorte na sua gig!

  12. Oswaldo F

    Digo, Burial, Skream, Kode 9, Benga e companhia… Por aqui ninguém conhece Dubstep, vai ser minha primeira gig hoje na cidade. O público pelo menos ouve algo mais bacana tipo Jazz e Blues. Eu pretendo fechar com Pendulum se sentir um desânimo…

  13. Lucas Xavier dos Reis

    Sinceramente, não vejo muita graça no Dubstep old school. Acho que o Skrillex é overrated, mas não ruim…

  14. Luis Franco Soares

    Skrillex não é ruim – é péssimo! Mais bass, por favor!

  15. Julgamento de gosto é algo que todos nós podemos fazer… Tem gente que gosta… E tem gente que não gosta… Vai da bagagem sonora e preferência musical de cada um… Não é verdade?

  16. Rodrigo Reprazent

    Se os haters que vocês dizem são aquelas sei lá quantas mil pessoas que pulam durante seus sets e aquelas milhões de pessoas que baixam e escutam no Youtube as músicas do Skrillex, eu gostaria de ter essas pessoas me odiando também. Acredito que a escolha musical do produtor não faz dele bom ou mal. Acho que ele é muito bom produtor. Toda música tem sua importância, as mais underground, as mais pop, etc. Acredito que acrescentaria mais falar quanto são legais as músicas do Skream, Kode 9 e companhia do que falar mal do Skrillex.

  17. Rodrigo… O texto do Igor é uma crítica pontual… Você pode concordar com o ponto de vista dele ou não… Além disso… Nosso newsfeed está cheio de música interessante que curtimos muito e fazemos questão de dividir com nosso público… Já conferiu? http://www.tranquera.org/category/news

  18. Igor Cordeiro

    Além disso, o Skrillex é assunto de apenas uma parte do texto.

  19. Rodrigo Reprazent

    Nossa, que defensiva.

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