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	<title>Tranquera.org &#187; Interviews</title>
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	<description>Dubstep, Bass Culture, Urban Music, Global Beats</description>
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		<title>Cleber Port do Drumbass.com.br</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Apr 2009 11:01:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Cleber Port trabalha para manter o gênero vivo com notícias e mixes – além de moderar seu fórum democrático, aberto para discussões variadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>O <a href="http://www.drumbass.com.br" target="blank"><b>Drumbass.com.br</b></a> é um dos mais antigos sites dedicados ao estilo no país. Através dele, <a href="http://www.cleberport.com" target="blank"><b>Cleber Port</b></a> trabalha para manter o gênero vivo com notícias e mixes – além de moderar um <a href="http://www.drumbass.com.br/forum" target="blank"><b>fórum</b></a> democrático, aberto para discussões variadas.</p>
<p>Para comemorar seus 9 anos de vida, o site traz ao Brasil ninguém menos que Nookie, um dos veteranos mais respeitados da cena Drum&#8217;n'bass internacional. Veja os detalhes da comemoração <a href="http://www.drumbass.com.br/2009/03/19/drumbasscombr-zirigui-e-phuzion-apresentam-nookie" target="blank"><b>aqui</b></a>. A seguir, confira a entrevista com Cleber Port e saiba mais sobre a história do Drumbass.com.br.</p>
<p><b>Como e quando o Drumbass.com.br surgiu?</b><br />
O site surgiu de uma conversa que tive com o DJ Anderson Soares, no final de 1999, na sala VIP do Lov.e Club. Disse que tinha sido convidado para escrever para um site sobre Drum&#8217;n'bass e pedi a opinião dele a respeito. O conselho foi curto e grosso: &#8220;Clebão, crie o seu site e o seu conteúdo&#8221;. Refleti e comentei a idéia com o Bobby Nogueira – amigo e ciclista internacional, freqüentador da Vibe –, que adorou. O mais engraçado foi que nesse dia, em meados de fevereiro de 2000, combinamos de correr para casa e ver a disponibilidade dos domínios: drumbass.com.br, drumandbass.com.br e drumnbass.com.br. Compramos os três e dois anos depois nos desfizemos do drumnbass.com.br.</p>
<p>Apenas eu e o Bobby estávamos juntos no dia em que o site foi ao ar. Dez dias depois da compra do domínio, registrado no dia 23 de março de 2000, uma empresa de Campinas fez o host. Corremos atrás dos textos com o Chicão e três ou quatro meses depois o Kapão assumiu o design. O Bobby apresentou um cara chamado Ney Faustini, que desde então virou nosso maior colaborador. No mesmo ano o Bobby fez o primeiros documentário sobre Drum&#8217;n'bass no Brasil: o Drum In Braz, pela produtora Quem Eu, que foi ao ar no Amp MTV. Em 2001 o Bobby voltou a morar em Londres e desde então toco o barco sozinho.</p>
<p><b>Como era a cena na época que o site surgiu?</b><br />
A cena ainda estava se desenvolvendo na Zona Sul mas já era bem disseminada na Zona Leste – de onde muitos se deslocavam para curtir o som – pois a Toco tinha fechado e a Sound Factory também. Era o segundo ano da Vibe no Lov.e e o Marky começava a despontar na cena inglesa – época difícil de manter as quintas quando ele viajava. As noites ficavam vazias e o grande chamaris era quando ele voltava: noites lotadas. Depois isso foi melhorando com a própria vitrine que o Lov.e proporcionou aos outros DJs da cena.</p>
<p>Em 2000 tínhamos mais projetos que hoje. Havia noites no Jive, Torre do Dr. Zero, Lov.e, Piranha, Hole Club, Sutra e mais algumas na Zona Leste, todas semanais. Os DJs e produtores em 2000 eram 4 Producers, Andy, Autoload, Cleber Port, Decsta, Drumagick, Fabio Yamaoka, Koloral, Linkage, Mad Zoo, Marcelo DMS, Marky, Marnel, Mikrob, Patife, Poeck, Ramilson Maia, Telefunken, Will e Xerxes. Não existia MC, mas as vezes o inglês Adrian Harley dava umas canjas.</p>
<p><b>Nesses nove anos de tragetória, quais foram os pontos altos do site? Lembra de algum momento difícil? Como ele foi superado?</b><br />
Éramos marinheiros de primeira viagem no comando de um site. Quando gravamos os sets do Marky e do Craze com quatro decks no Lov.e, em novembro de 2001, tínhamos um pacote básico de host e uma média de 300 visitas por dia. Quando disponibilizamos o set, tivemos 1000 downloads em média por dia, por mais de um mês. A banda ultrapassou o limite do nosso pacote e tiraram o site do ar. Demoramos 6 meses para voltar.</p>
<p>O mais engraçado é que nessa época poucos conheciam o site no Brasil. Tínhamos 60% de visitas internacionais, mesmo com o site em português. Lembro que em 2001, na segunda edição do Skol Beats, levei várias camisetas para os DJs, mas voltei com a maioria para casa. Muitos deixaram nos camarins e no próprio palco. A própria internet no Brasil ainda estava no começo.</p>
<p><b>Qual sua opinião sobre a cena Drum&#8217;n'bass no Brasil hoje?</b><br />
Acho que no Brasil o estilo está no seu devido lugar. Mainstream é coisa para 4&#215;4. Tivemos algumas excessões em 2002 e 2003 que fizeram o Drum&#8217;n'bass subir a um patamar que o tornou mais respeitado. Num espaço curto de tempo tivemos a Vibe eleita por duas ou três vezes a melhor noite de São Paulo, um DJ brasileiro eleito como melhor DJ internacional e por conseqüência a fusão com a música brasileira, que fez o link com a cultura local, criando mais afinidade tanto com os brasileiros como com os ingleses. Certamente teremos outros momentos como esses, mas eles vão e voltam e no final sempre voltaremos para o nosso lugar, o underground.</p>
<p><b>Quais outros sites sobre Drum&#8217;n'bass você recomenda?</b><br />
O <a href="http://www.breaksblog.biz" target="blank"><b>Breaks Blog</b></a> do amigo Tim que traz os melhores sets garimpados dos quatro cantos do planeta, o <a href="http://www.dogsonacid.com" target="blank"><b>Dogs On Acid</b></a> que é o maior fórum de dance music do mundo e o <a href="http://s0ulr.wordpress.com" target="blank"><b>Soulr</b></a> que lança os melhores releases hoje.</p>
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		<title>Gaía Passarelli e Jade Gola do RRAURL</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 11:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[O Tranquera bateu um papo com a dupla dinâmica que faz o possível e o impossível para manter a chama acesa por lá.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>O <a href="http://rraurl.uol.com.br" target="blank"><b>RRAURL</b></a> nasceu com a cena Rave brasileira. Criado em 1997 pelas mãos de Gil Barbara, Camilo Rocha e Gaía Passarelli, o site se mantém na ativa ainda hoje – mesmo com as dificuldades financeiras que atrapalham veículos independentes que buscam liberdade editorial para produzir conteúdo diferenciado.</p>
<p>A crise global também efetou a redação do RRAURL. Isso fez com que a equipe pensasse numa forma mais econômica de trabalho, otimizando custos para viabilizar suas idéias. O Tranquera bateu um papo com a dupla dinâmica que faz o possível e o impossível para manter a chama acesa por lá: com vocês, <a href="http://rraurl.uol.com.br/jade" target="blank"><b>Jade Gola</b></a> e <a href="http://rraurl.uol.com.br/gp" target="blank"><b>Gaía Passarelli</b></a>. Confira a entrevista com eles.</p>
<p><b>O que há de mais interessante rolando na cena eletrônica nacional hoje?</b><br />
<b>Gaía Passarelli</b> – Acho difícíl pensar em termos de &#8220;cena eletrônica&#8221; porque não sei bem o que isso quer dizer. Cena Techno? House? Festas open air? Clubs? DJs? Tudo isso junto? Pensando mais como música, cultura de pista, acho que as festas menores e menos pretenciosas, independentes, são as mais legais – aí vai desde DJs tocando Dubstep no Vegas à mashups Electro, Pop em casas de Rock.</p>
<p><b>Jade Gola</b> – Talvez com a crise – e com os inúmeros fiascos de gigs gringas por aqui –, as pessoas têm dado mais atenção aos talentos locais. DJs e produtores brasileiros voltarão a ter o protagonismo que tinham há cerca de 10 anos atrás, quando um DJ estrangeiro não era artigo indispensável num clube.</p>
<p><b>Como vocês enxergam a mídia especializada em música no Brasil? Qual a situação atual dos veículos que produzem esse tipo de informação no país?</b><br />
<b>Jade Gola</b> – Fraca. Minguante em termos financeiros e empreendedores. Falo pelo próprio RRAURL, que passa por reestruturação, culpa da escassez de campanhas, incentivadores financeiros e verba. Com a internet social todo mundo quer divulgar conteúdo de graça. As agências de publicidade agora investem mais em &#8220;virais&#8221; do que em campanhas de fato, já que tudo online parece ter o clima <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/DIY" target="blank"><b>DIY</b></a>. Com a crise, tudo fica mais preocupante.</p>
<p><b>Gaía Passarelli</b> – Mídia especilizada é difícil. Fazer revista no Brasil é muita aventura, então até hoje a gente não tem algo essencial – uma publicação em papel com periodicidade, sustentável financeiramente. O que vejo de mais bacana, de novo, são pequenos sites e alguns blogs que atuam de forma mais independente de patrocínios e anunciantes, explorando nichos.</p>
<p><b>Quais são os critérios que definem as pautas do RRAURL hoje?</b><br />
<b>Jade Gola</b> – Basicamente, música boa. Música nova que a gente goste ou até mesmo música ruim que a gente não goste mas que tenha interesse jornalístico. Falamos ainda de outros assuntos do &#8220;campo sociológico&#8221; da cena eletrônica da música alternativa: drogas, movimento <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/LGBT" target="blank"><b>LGBT</b></a> e minorias, roteiro de eventos, etc.</p>
<p><b>Gaía Passarelli</b> – Estamos em obras! Essa pergunta está sendo feita internamente e não tenho uma resposta. Mas sei exemplificar o que quero para o site: se um produtor vai lançar um novo disco, o que interessa é o disco, não a festa de lançamento do disco. Entende? Por que é assim que a gente consegue se diferenciar de outros tantos sites e manter a liberdade editorial que a gente gosta de ter. O RRAURL não é baseado em pageviews. Gosto da idéia de dar liberdade criativa para quem escreve no RRAURL. Coisas como resenhas de discos, análises de shows, Radar e RRAURL Geek vão de encontro a isso. Acho que o caminho natural é que o site seja menos &#8220;roteiro&#8221; e mais análise.</p>
<p><b>Vai rolar uma reestruturação na redação do RRAURL. Quais são essas mudanças? Por que elas vão acontecer? Algum motivo específico?</b><br />
<b>Gaía Passarelli</b> – Acabamos de fechar o QG do RRAURL. Estamos procurando uma forma de trabalhar que consuma menos dinheiro para poder exercer essa tal liberdade que queremos que o site tenha. A curto prazo isso significa que vamos ter um funcionamento totalmente digital na parte de conteúdo, usando documentos compartilhados online, MSN e email. Ainda não existe fórmula pronta para ganhar dinheiro com site de notícias. A publicidade para internet é confusa e não é a mina de ouro que muita gente pensa. O RRAURL é muito crítico e isso afasta anunciantes que acham, por exemplo, que ao comprar banner no site, a gente vai fazer uma resenha positiva de um festival que foi ruim. Isso é só um exemplo de algo que já aconteceu. Então estamos procurando uma forma de trabalhar que seja financeiramente viável no meio desse grande colapso econômico que vivemos. Se você souber como, me fala?</p>
<p><b>Como é o dia a dia do RRAURL? Produzir informação e manter uma comunidade virtual no ar são tarefas que demandam o mesmo trabalho?</b><br />
<b>Jade Gola</b> – Sim, dá muito trabalho e a reestruturação da redação infelizmente vai acarretar em queda na quantidade de conteúdo.</p>
<p><b>Gaía Passarelli</b> – Tudo dá trabalho: encontrar notícia, publicar, resolver bugs que pintam o tempo todo, responder emails que chegam às centenas, fechar campanhas, etc. A coisa não anda sozinha.</p>
<p><b>Mais alguma coisa?</b><br />
<b>Gaía Passarelli</b> – Me paga um café?</p>
<p><b>Jade Gola</b> – Não desistam nunca!</p>
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		<title>7even Recordings</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2009/02/25/7even-recordings-dubstep/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 11:01:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[O Tranquera falou com Greg G, DJ e promoter francês responsável pelo 7even Recordings – um dos selos mais interessantes da atualidade na nova Bass Culture global.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>O Tranquera falou com <a href="http://www.myspace.com/gregg112" target="blank"><b>Greg G</b></a>, DJ e promoter francês responsável pelo <a href="http://www.myspace.com/7evenrecordings" target="blank"><b>7even Recordings</b></a> – um dos selos mais interessantes da atualidade na nova Bass Culture global. Greg está envolvido com a cena desde 1998 e já produziu diversos radio shows. Atualmente ele está no Japão e deve ficar em Tóquio por alguns meses.</p>
<p><b>Como anda a Bass Culture na França nesse exato momento?</b><br />
Estou promovendo a noite Basement Ltd. com o Synaptic em Paris. Para nosso segundo aniversário, em abril, vamos ter a crew toda do DMZ. Em janeiro tivemos o Live Act do Shackleton, Pinch, Silkie e Quest. Já passaram por lá Skream, Benga, Kode 9 e Spaceape, Goth Trad, Kromestar, D1, entre outros.</p>
<p><b>Como surgiu o 7even?</b><br />
Sou amigo do Likhan desde a época do colégio. A gente tocava Jungle, UK Garage, Dark Garage e depois passou a tocar Dubstep também. O Likhan começou a produzir em 2004 e no verão de 2007 resolvi lançar o selo. Fiz a logomarca, procurei uma distribuidora e o primeiro disco saiu. Depois conheci o <a href="http://www.tranquera.org/2009/02/24/helixir" target="blank"><b>Helixir</b></a> e o F. A cena na França é pequena e nós nos preocupamos em desenvolver nosso aspecto musical sem se preocupar com rótulos, fórmulas ou estilos.</p>
<p><b>Quem é Benjamin Joubert? Todos os discos do selo são masterizados por ele.</b><br />
O Benjamin é um francês que trabalha como engenheiro de som em Paris. Ele tem mais de dez anos de experiência no ramo e já trabalhou com diversos tipos de música. Vale a pena conhecer o <a href="http://www.myspace.com/benjaminjoubertmastering" target="blank"><b>Myspace</b></a> dele.</p>
<p><b>Quais são os próximos lançamentos do 7even?</b><br />
Vai sair um novo 12&#8243; do F em abril com a faixa &#8220;Epilogue&#8221;. O disco também inclui um remix do Ramadanman. Mais para frente devem vir álbuns do F, Helixir e Likhan.</p>
<p><b>Mais alguma coisa?</b><br />
Big up ao 7even e à todos que estão curtindo nosso som. Respeito máximo ao Tranquera pelo seu trabalho incrível. É isso aí!</p>
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		<title>Dub Echoes</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2009/01/16/dub-echoes/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 10:01:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Bruno Natal e Chico Dub batem um papo com o Tranquera sobre esse registro histórico, muito importante para o universo do grave.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>Você já deve ter ouvido falar do <a href="http://www.dubechoes.com" target="blank"><b>Dub Echoes</b></a>, documentário encabeçado por dois brazucas de talento. <a href="http://www.oesquema.com.br/urbe" target="blank"><b>Bruno Natal</b></a> e <a href="http://www.tranquera.org/2007/11/21/chico-dub" target="blank"><b>Chico Dub</b></a> batem um papo com o Tranquera sobre esse registro histórico, muito importante para o universo do grave.</p>
<p><b>Quando surgiu a idéia de fazer esse documentário? Por quê?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – A idéia foi surgindo ao longo dos anos, de conversas entre eu e o Chico (que foi quem me apresentou o Dub), ouvindo Reggae. Não foi algo pensado. Por volta de 1997, ouvíamos muito Drum&#8217;n'bass, estilo muito influenciado pelo Dub. Sempre comentávamos sobre essa proximidade e de como, para a gente, isso era pouco comentado. Com o tempo, começamos a perceber a influência do nosso estilo musical preferido em outros sons.</p>
<p>Em 2004 viajamos para Jamaica, para trabalhar no catálogo de moda que nosso amigo Felipe Continentino iria fotografar. Entrei na equipe para fazer o making of e o Chico era o produtor da viagem. Com a ida confirmada, numa conversa no chat do Soul Seek, falamos que deveríamos aproveitar a ida para tentar entrevistar alguns nomes para um possível documentário que falaria da influência do Dub na música eletrôica e no Hip Hop. O nome do documentário surgiu logo nesse papo e ficou.</p>
<p><b>Qual o seu papel nesse projeto? E o do Chico? Quem mais participou?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – Sou o diretor, cinegrafista, produtor do filme, além de ter escrito o roteiro de edição em cima da pesquisa feita pelo Chico. O acúmulo de funções se deve muito mais pela falta de recursos de um projeto independente do que qualquer outra coisa. Após a ida para Jamaica, conseguimos o apoio da American Airlines (que havia apoiado o projeto do catálogo) para o filme. Com isso, foi possível viajar para os EUA e Inglaterra para entrevistar as pessoas que faltavam para contar essa história.</p>
<p>A edição e finalização foi feita na <a href="http://www.gruposal.com.br" target="blank"><b>Mellin Videos</b></a> por Daniel Ferro, Julio Adler e Rafael Mellin, a finalização de áudio no <a href="http://www.lontramusic.com" target="blank"><b>Lontra Music</b></a> por João Brasil e João Ferraz, o design em movimento foi feito na <a href="http://www.brabo.tv" target="blank"><b>Brabo</b></a> pelo Juarez Escosteguy e Adriano D&#8217;Aguiar, além do apoio da <a href="http://www.dimaquina.com" target="blank"><b>Dimáquina</b></a> e do <a href="http://www.6d.com.br" target="blank"><b>6D Estúdio</b></a>, desde o início do projeto. A <a href="http://www.urbanimage.tv" target="blank"><b>Urban Image</b></a> entrou mais tarde, fornecendo as fotos de arquivo. O Digitaldubs Sound System fez a trilha original.</p>
<p><b>Chico Dub</b> – Bom, minha participação no filme se deu muito mais na concepção, escolha dos entrevistados e suas respectivas pautas – no pré mesmo e durante as filmagens. Tinha desenvolvido uma seleção musical para o filme que no final das contas acabou não acontecendo como planejado por questões burocráticas de direitos autorais. De qualquer maneira, tudo isso fiz junto com o Bruno, que com o grosso do filme já filmado, tocou o resto praticamente sozinho: pré-edição, contatos comerciais, direção do design, inscrição nos festivais, etc. Sem a determinação dele, o filme não sairia nunca. É tanto problema reunido que desistir acaba sendo a opção mais viável no final das contas. Por isso tiro o meu chapéu para ele.</p>
<p><b>Como o assunto foi dividido ao longo dele? Existe alguma estrutura?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – O filme tem duas partes, a &#8220;Dub&#8221; e a &#8220;Echoes&#8221;. Na primeira é explicada as origens do Dub na Jamaica, da cultura dos sound systems até os experimentos de King Tubby e Lee Perry. Na segunda é mostrado os caminhos que o Dub percorreu pelo mundo, principalmente nos EUA e na Inglaterra, e a influência decisiva que teve e tem na música eletrônia e no Hip Hop. Sempre através de entrevistas com nomes emblemáticos dos períodos e gêneros abordados no filme.</p>
<p><b>Quem são os artistas que aparecem nele? Algum destaque especial?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – A lista é enorme, forma mais de 40 entrevistados, de King Jammy a 2ManyDJs, de Roots Manuva a U-Roy. No entanto, a entrevista mais esperada e importante do filme foi a do Lee Perry – e foi a última a ser feita, já em 2007. Como o criador do Dub, King Tubby, está morto, Perry é o principal expoente do Dub ainda vivo. O filme não seria completo sem ele.</p>
<p><b>Chico Dub</b> – Da Jamaica, que no filme funciona como a primeira parte, entrevistamos lendas como Scientist (que teve que ser cortado da edição final por problemas contratuais), Lee Perry, Sly &#038; Robbie, Bullwackie e outros. Mas sem dúvida a peça fundamental do filme é o Bunny Lee, produtor chave na época e grande incentivador do mestre absoluto do Dub, o finado King Tubby. Ele é um cara bom de entrevista e suas falas conduzem a primeira metade do filme.</p>
<p>Na inglaterra conseguimos entrevistar as figuras mais importantes no desenvolvimento do Dub tipicamente inglês, caras responsáveis pela sobrevivência do mesmo nos anos 80 e que expandiram o gênero para além da cena Reggae tradicional: Mad Professor, Adrian Sherwood e Dennis Vovell (ficou faltando só o Jah Shaka, que não topou). Fora essa galera, entrevistamos Howie B, Audio Bullys, Kode 9, Don Letts, Bill Laswell, LTJ Bukem, Peter Kruder, Thievery Corporation, DJ Spooky e muitos outros.</p>
<p><b>O Brasil aparece no documentário? Como ele é representado?</b><br />
<b>Chico Dub</b> – O Brasil aparece representado pelos depoimentos de Marcelo Yuka, Nação Zumbi, Black Alien e do produtor Mario Caldato, que contou umas histórias muito boas sobre os Beastie Boys e Lee Perry que acabaram não entrando no filme. Musicalmente, coube ao Digitaldubs a trilha sonora original, bem presente na primeira metade do filme.</p>
<p><b>Qual a relação da música brasileira com a cultura musical jamaicana?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – Para mim, é no Brasil que o Dub tem assumido sua faceta mais importante, que é a de modo de produção, uma postura, não simplesmente um estilo. As bandas daqui utilizam a mentalidade Dub, de criar espaços, atmosferas, utilzar o estúdio como um instrumento e aplicam ao seus sons, sem necessariamente estar fazendo Reggae. Isso é muito rico.</p>
<p><b>Chico Dub</b> – Pop nacional tem uma ligação forte com a música jamaicana: Paralamas, Titãs, Ultraje A Rigor, Gilberto Gil, O Rappa, Skank, o Samba Reggae baiano, Nação Zumbi.</p>
<p>Já com relação ao Dub, historicamente os primeiros marcos são os os dubs dos Paralamas no disco Selvagem, de 1986 (&#8220;Teerã Dub&#8221;, &#8220;Marujo Dub&#8221;), e os d&#8217;O Rappa no seu primeiro trabalho, de 1994 (&#8220;Sujo Dub&#8221;, &#8220;Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro Dub&#8221;). Mas o primeiro disco só de dub é Dubs, do Cidade Negra, de 1999, que tem músicas remixadas por alguns grandes nomes do gênero, como Mad Professor e Augustus Pablo.</p>
<p><b>Qual a relação do Baile Funk carioca com a música popular jamaicana? É possível descrever algum paralelo? A música popular jamaicana também sofre preconceito?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – Naturalmente, como quase sempre acontece, boa parte da velha guarda não curte. Um dos extras do filme é uma discussão sobre Dancehall, que acabou não entrando no filme.</p>
<p><b>Chico Dub</b> – Não é só com o Baile Funk, qualquer música de periferia mundial vai se relacionar involuntariamente com a jamaicana. O sound system, o grave explodindo as caixas espalhadas por tudo quanto é canto, cantores<br />
improvisando sobre bases soltadas pelos DJs, a criatividade, a crueza e a informalidade das gravações devido a falta de recursos, a vida à margem da grande mídia e das grandes gravadoras.</p>
<p><b>Quais gêneros musicais brasileiros foram influenciados pelo Dub? O inverso também ocorreu? Como?</b><br />
<b>Chico Dub</b> – Não dá para falar em gênero musical brasileiro influenciado pelo Dub. Talvez as produções de Recife, que mesmo sem uma pegada explicitamente Dub usam sempre efeitos, abusam da melódica e tem baixo gordo. É díficil não ouvir algo de Recife que não tenha um ou outro som mais chegado na Jamaica. Nos saudosos shows do Los Sebosos Postizos, projeto da Nação que revisita músicas do Jorge Ben, havia sempre um intervalo Reggae. Antes de começar a tocar um Dennis Brown irado, o Jorge Du Peixe dizia para platéia que quem não gosta de Reggae bom sujeito não é.</p>
<p><b>Quando o Dub Echoes será exibido por aqui para o grande público? Como ele será lançado? A distribuição será mundial?</b><br />
<b>Bruno Natal</b> – Estranhamente, mesmo tendo sido exibido em quase vinte festivais pelo mundo (incluindo Sonar Barcelona, Miami Winter Music Conference, Jamaica Reggae Festival, Londres e Amsterdã), por aqui as coisas andaram bem devagar. Houve apenas duas exibições, no festival FILE e na Bienal de São Paulo. Estamos tentando emplacar mais coisas aqui.</p>
<p>O DVD será lançado, ainda esse semestre, pelo selo inglês Soul Jazz Records, com distribuição mundial, menos no Brasil. Ainda estou resolvendo como o filme deve sair aqui no Brasil, mas a idéia é rolar, claro.</p>
<p><b>Mais alguma coisa?</b></p>
<p><b>Bruno Natal</b> – Obrigado!</p>
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		<title>Alexandre Youssef</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2008/11/06/alexandre-youssef/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 10:01:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[O Tranquera conversa com o homem por trás do Studio SP, Overmundo e parceiro dos feras Hermano Vianna e Ronaldo Lemos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p><a href="http://www.ale.org.br" target="blank"><b>Alexandre Youssef</b></a> é sócio do <a href="http://www.studiosp.org" target="blank"><b>Studio SP</a></b>, uma das casas mais importantes do circuito de entretenimento noturno em São Paulo hoje. Ele também escreve para a <a href="http://www.revistatrip.com.br" target="blank"><b>Revista Trip</b></a> mensalmente. Além disso, o <a href="http://www.overmundo.com.br" target="blank"><b>Overmundo</b></a> – plataforma digital colaborativa brasileira, que ganhou o Golden Nica no Prix Ars Electronica 2007 – é projeto seu ao lado de feras como Hermano Vianna e Ronaldo Lemos.</p>
<p><b>Como você enxerga o circuito de entretenimento noturno hoje em São Paulo? Há algum caso ou formato que mereça destaque especial? E no resto do Brasil? Você tem alguma idéia de como as coisas estão caminhando?</b><br />
Acho que São Paulo vive um momento especial. A diversidade e a qualidade de clubes e festas credenciam a cidade com uma das melhores noites do mundo. Além disso, existem fatores econômicos – como o desenvolvimento do país – que democratizam a noite.</p>
<p>Destaco a relação entre os donos de clubes da cidade: nunca foi tão amistosa e produtiva. A maioria já pensa a cena como um setor econômico, que tem que ter voz ativa, relação e representação política. O movimento Noite Viva – de valorização da noite – criado em 2008, deve se fortalecer em um futuro próximo.</p>
<p>Acho que existe coisa muito boa no Brasil todo. No Rio, por exemplo, tem o trabalho do Grupo Matriz, com nove casas de qualidade e a Moo – com uma das melhores festas eletrônicas. Sem contar a explosão que nunca acaba do Funk Carioca, hoje copiado e modificado em todas as periferias e centros do mundo. Em Recife, há o caldeirão criativo de sempre. No Pará tem o Technobrega, que revolucionou o mercado. Enfim, tem coisa boa no Brasil inteiro. Estamos num ótimo momento.</p>
<p><b>Baseado na sua experiência como sócio do Studio SP, como é possível oferecer entretenimento noturno relevante na cidade de São Paulo hoje? O cenário é muito adverso? Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por vocês?</b><br />
Do ponto de vista artístico, para um clube conseguir fazer algo relevante, tem que ter alma, captar o que de fato está acontecendo em uma ou mais cenas e trazer os verdeiros protagonistas para o palco. Muitas vezes a casa não vai lotar, mas o processo de formação de público para a nova música é algo que aproxima tanto o público como o artista do clube. Foi assim com o Studio SP. As dificuldades são as de sempre: incompreensão do mercado sobre a importância dos nichos e das cenas alternativas e dificuldades com o poder público.</p>
<p><b>Na sua opinião, o poder público pode ajudar ou atrapalhar a iniciativa privada nesse segmento? O governo atual representa algum tipo de interesse nesse sentido? Se sim, quem são esses representantes e o que eles estão fazendo exatamente?</b><br />
Pode ajudar sim. Fomentar a noite e as casas de show é investir em empregos, turismo, desenvolvimento local, revitalizacão de áreas degradadas na cidade e inclusão social. Dá para associar a vida noturna de São Paulo a todos esses tópicos. Não existe ninguém fazendo isso hoje no atual governo municipal.</p>
<p><b>Como está a produção da nova musica brasileira hoje? Nesse ambiente sonoro o eletrônico demonstra alguma expressão? Quais são as novas tendências? Qual sua opinião sobre elas?</b><br />
Acho que vivemos um resgate da música ao vivo autoral. Mas não é uma coisa parecida com o que rolou nos anos 80 com o Rock, e no início dos 90 com o que se chamou Nova MPB. Agora, com a internet e tantos nichos diferentes, dá para construir uma carreira de forma independente. Assim, muitas bandas que têm 300 ou 400 fãs conseguem viver de música, tocando três ou quatro vezes por mês. Através do Myspace e do Orkut, elas conseguem se comunicar diretamente com seu público, que lota os shows e garante uma boa bilheteria. Isso gera um ambiente muito saudável e criativo. Cada vez mais gente está entrando nessa.</p>
<p>A música eletrônica, por sua vez, continua bombando. Especialmente se considerarmos o Funk Carioca, o Dub, o Technobrega e o Forró Eletrônico como parte disso. Claro que muitos nem podem ouvir falar nisso. Acham que a música eletrônica só é aquela que se toca em clubes. Mas, de todo modo, a mesma estrutura de nichos acontece também com a música eletrônica. Só que não dá para falar que o Techno, o House, o Trance, o Electro ou até mesmo o Hip Hop sejam novidades – embora continuem legais, para quem gosta. Do ponto de vista popular, a apropriação do Rock para fazer misturas e versões foi uma saída para muita gente da música eletrônica.</p>
<p><b>O que sua experiência como coordenador de projetos voltados para juventude diz sobre a situação atual da cultura e da expressão jovem no país? Como você avalia o momento atual? O que ainda precisa ser feito? Como isso é possível?</b><br />
Acho que vivemos um paradoxo. Nunca tantas coisas legais feitas por jovens tiveram o impacto e a visibilidade como agora. Mas ao mesmo tempo muito pouco se evoluiu em políticas públicas culturais voltadas para o jovem. É engraçado: muitos governos tratam as principais expressões da cultura jovem do país como atos marginais. Alguns exemplos: a eterna criminalização dos bailes Funk no Rio, a ação idiota de se apagar os grafites de Os Gemeos em São Paulo, o nojo demostrado pela elite em relação ao Technobrega, o preconceito em relacão à vida noturna.</p>
<p>A explicação política para isso é a total falta de informação e conservadorismo cultural de quem está a frente de cargos públicos. Vejam, estou falando em conservadorismo cultural e isso muitas vezes inclui não só a direita, mas muita gente da esquerda também. Sou do time do Hermano Vianna e para mim não existe cultura pura. Todas as culturas estão em constante transformação e na maioria das vezes o jovem é quem opera essa transformação. Muitas vezes o poder público não entende isso e adota uma postura careta em relação à cultura jovem. O que fazer? investir em banda larga de graça para todo mundo, para todos se conectarem em rede. Isso sim facilitaria a vida da produção cultural jovem. Outra coisa: definir políticas que levem em conta o comportamento jovem.</p>
<p><b>Qual a importância da internet para o desenvolvimento e a difusão de novas expressões culturais no país? Como é a atuação do Overmundo nesse sentido?</b><br />
Total. É a coisa mais importante que existe no momento: banda larga livre e de graça para todos. Isso seria uma revolução. O Overmundo é um exemplo dessa importância. Cumpre um papel interessante na difusão da cultura brasileira.</p>
<p><b>Qual sua opinião sobre o Creative Commons? Como é possível promover cultura de forma livre, sem esbarrar no direito autoral regido pela indústria cultural atual?</b><br />
Sou 100% favorável. A promoção real da cultura livre só se dará quando a sociedade se conscientizar da sua importância e exigir o Creative Commons em tudo. Para isso acontecer é preciso, antes de mais nada, de informacão. O Creative Commons já dá soluções, através dos diversos tipos de licença, para as pessoas não esbarrarem no direito autoral regido pela grande indústria.</p>
<p><b>Na sua opinião, o que há de mais interessante sendo feito hoje em se tratando de cultura, música e expressão artística de uma forma geral no Brasil? Alguma aposta em particular? Algum talento específico no horizonte?</b><br />
Uma delas é a explosão da música ao vivo autoral em clubes e casas de shows. Outra é a maravilhosa nova cena de artes plásticas que se formou em São Paulo, depois de iniciativas como a galeria Choque Cultural, que reuniu e profissionalizou muita gente boa. Agora, a única aposta que faço – afinal seria injusto apostar em alguém no meio de tanta gente boa que convive comigo no Studio SP – é na volta do Timão para primeira divisão.</p>
<p><b>Você acompanha o Tranquera? Qual sua opinião sobre essa plataforma virtual?</b><br />
Gosto muito. Até adicionei como link do meu blog.</p>
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		<title>Lucas Santtana</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2008/10/09/lucas-santtana/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 11:01:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista com o músico baiano que já trabalhou com grandes nomes da música brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/santtana" target="blank"><b>Lucas Santtana</b></a> é um músico baiano que já trabalhou com grandes nomes da música brasileira. Como instrumentista tocou ao lado de Chico Science &#038; Nação Zumbi e seu nome está devidamente creditado no seminal <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Afrociberdelia" target="blank"><b>Afrociberdelia</b></a>. Também já esteve com Marisa Monte, Fernanda Abreu, Caetano Veloso e Gilberto Gil.</p>
<p>O artista coleciona destaques nas revistas Down Beat, Rolling Stone e até mesmo no jornal New York Times. Lucas também mantém o site <a href="http://www.diginois.com.br" target="blank"><b>Diginóis</b></a>, onde é possível fazer o download das suas produções e remixes de outros artistas, entre eles MPC do <a href="http://www.digitaldubs.com.br" target="blank"><b>Digital Dubs</b></a> e <a href="http://www.myspace.com/tranquera" target="blank"><b>Tranquera</b></a>.</p>
<p><b>Como você define o seu trabalho?</b><br />
O máximo que posso dizer é que gosto de fazer uma música que nem eu mesmo sei o que é.</p>
<p><b>Como você enxerga a música brasileira hoje? Qual a importância do legado de artistas que vieram antes você? Quais deles influenciam diretamente a sua criação?</b><br />
A música brasileira nunca foi tão prolixa. Nunca houve uma época com tantos trabalhos autorais legais e diferentes entre si. Aquele tipo de música que cabia no rótulo MPB já não comporta mais essa geração. A importância do legado é grande e tenho muito respeito por ela. Todos me influenciaram de alguma forma. Ouvi muito MPB na minha adolescência na Bahia. Mas posso destacar o Jorge Ben, o Tom Zé e o Caymmi.</p>
<p><b>O que é a nova música brasileira? Existem elementos que a caracterizam? Quais são eles?</b><br />
Outro dia li em algum blog o termo &#8220;e-MPB&#8221;. Achei interessante pois a internet é a morada que une todos esse nomes. É onde você pode juntar todo mundo. Acredito que a nova música brasileira deixou para trás os formatos da indústria, sejam eles musicais, marqueteiros ou logísticos. Por exemplo, não existe mais um padrão de som nos discos, cada um soa bem diferente do outro. Até os anos 90 ainda existia esse padrão sonoro de rádio e tal. O elemento que une essa geração é a liberdade de fazer o que quer e ter que conviver com a dificuldade que isso representa no dia a dia.</p>
<p><b>Qual sua opinião sobre a produção musical no Brasil hoje? Baseado na sua experiência, como é o dia a dia dessa atividade no nosso país?</b><br />
Produzir está mais fácil, nunca se produziu tantos discos. A distribuição é que sempre foi o gargalo. Mas como está todo mundo disponibilizando os CDs agora e vendendo basicamente em shows, acabou esse lero lero. Todo mundo vai falar e vender para um número &#8220;x&#8221; de pessoas. O &#8220;sucessão&#8221; está cada dia mais difícil. É a tal teoria da calda longa. Divagar e sempre.</p>
<p><b>Como a música jamaicana influencia o seu trabalho? Quais outras influências incidem diretamente sobre a sua criação?</b><br />
Cotidianamente. Sou fã confesso da música jamaicana, desde os anos 50 até hoje. E quando a gente fala de música jamaicana não pode ficar restrito à ilha pois ela influênciou toda a música pop produzida no mundo, independente do estilo. Curto muito os crossovers, as experimentações, os mashups, enfim, quando você não pode mais dizer que é isso ou aquilo. E claro, música de origem negra, rural ou urbana, roots ou feita com máquinas, seja ela qual for.</p>
<p><b>O que há de mais interessante em termos musicais hoje? O que chama sua atenção?</b><br />
Sempre me liguei muito em textura musical. E até hoje é assim. Gosto de letra de música, de harmonia, melodias, rítmos e tal, mas o que me chama a atenção primeiro e me fisga é a textura final da faixa. Canção hoje em dia para mim já é arquivo sonoro e não apenas uma bela canção feita ao violão ou ao piano. Ou seja, já considero  gravar com tal microfone, como mixar freqüências, masterização, etc. Quando vira AIFF, WAV ou MP3, aí sim está pronta a música. Já vi muitas boas canções que quando transportadas para o CD perderam sua força.</p>
<p><b>Você conseguiria destacar algum aspecto interessante quando se fala de produção musical e tecnologia no Brasil?</b><br />
Aquilo que falei lá em cima. Nos anos 70 os discos no Brasil tinham um som característico, porque ninguém ficava imitando o som das produções gringas. Apartir dos anos 80 esse padrão Los Angeles contaminou o mundo todo. Agora com as produções caseiras e essa mentalidade por parte dessa geração, que busca o som com liberdade até ele chegar ao arquivo sonoro, trouxe de volta esse diferencial nos discos feitos no Brasil.</p>
<p><b>Como você e seu trabalho se relacionam com as possibilidades do mundo digital? Você é um adepto das inovações tecnológicas mais recentes? Por quê?</b><br />
Tecnologia sempre existiu. Há essa confusão em relação ao que se entende por tecnologia. Um papel higiênico é tecnologia. Em relação ao uso de máquinas, dentre elas o computador, posso dizer que só me trouxe benefícios. Do email aos plugins dos softwares musicias e por aí afora. Procuro estar atento a tudo, as inovações, mas não sou escravo do &#8220;upload&#8221;, até porque as máquinas vintage estão voltando com tudo. O importante é saber o que lhe interessa na prática e pronto.</p>
<p><b>Você curte o Tranquera?</b><br />
É o lugar por onde me atualizo em relação ao mundo do Dubstep, gênero que curto a vera. E por ser mais um blog com interesse em compartilhar e difundir idéias, o que é o nosso humilde papel nessa big Babel. Até rimou olha ai! Hahahahahaha!</p>
<p><b>Mais alguma coisa?</b><br />
Tem um verdinho ai?! Hehehehehehe.</p>
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		<title>Chico Dub</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2007/11/21/chico-dub/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 11:01:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[O carioca Chico Dub é um profundo conhecedor da música jamaicana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>O carioca Chico Dub é um profundo conhecedor da música jamaicana. Sua recheada coluna Jamaica Hi-Fi, publicada no Radiola Urbana, é um prato cheio para quem têm interesse sobre o assunto. Seu blog, o <a href="http://www.dub.blogger.com.br" target="blank"><b>Dub.blogger.com.br</b></a>, também é repleto de informações e referências fundamentais.</p>
<p>Agora, sua contribuição para o entendimento do tema ganha uma relevância ainda maior e pode ser conferida no CPH:DOX, importante festival internacional de documentários sediado na Dinamarca. Ele é co-produtor do <a href="http://www.dubechoes.com" target="blank"><b>Dub Echoes</b></a>, dirigido por Bruno Natal. O trabalho visa mostrar como o Dub influenciou – e continua influenciando – a música eletrônica contemporânea. Para isso, sua pesquisa conta com depoimentos de gente como Congo Natty, Howie B, Dub Pistols, Kode 9, LTJ Bukem, Peter Kruder, Lee Scratch Perry, Mad Professor, Scientist e Sly &#038; Robbie.</p>
<h3>O remix surgiu na Jamaica por volta de 1967</h3>
<p><b>Qual a contribuição da música popular jamaicana para o &#8220;remix&#8221;?</b></p>
<p>O que conhecemos hoje como remix originou-se na Jamaica, por volta de 1967, batizado de &#8220;version&#8221;. Até 1969, essas versões eram simplesmente formadas pela canção original – sem o vocal – com instrumentações adicionais de sax, trombone e guitarra dos clássicos de Rocksteady que dominavam os dancehalls. A coisa começa a mudar de figura quando os toasts dos DJs – os MCs jamaicanos – passam a ser gravados em disco.</p>
<p>É importante citar que o DJ sempre existiu nos sound systems jamaicanos, mas é a partir das primeiras gravações do U-Roy mixadas pelo King Tubby que a categoria começa a se destacar e vira arte. Tubby manipulava a versão original retirando os excessos e deixando espaços para U-Roy cantar por cima da base, interagindo com a letra da fonte original.</p>
<p>Em paralelo, as versões instrumentais citadas acima vão se tornando mutantes, parecendo cada vez menos com suas matrizes. Toneladas de efeitos são adicionados, pedaços de músicas são recortados e colados em outras – alguém aí pensou em mashup? O engenheiro de som se torna artista e o instrumento usado é o próprio estúdio. A partir daí, em 1972, surge o Dub, versão totalmente minimalista que prioriza a essência da música jamaicana – o baixo e a bateria.</p>
<p>A música jamaicana é uma das mais comerciais do mundo. Nada que não dê certo nos dancehalls e sound systems consegue sobreviver por muito tempo. Essas versões caíram no paladar do povo porque mostravam sucessos conhecidos em outras roupagens. O povo jamaicano sempre aprendeu a lidar com o pouco que tinha. Nada é jogado fora. De uma certa maneira, o que esses pioneiros fizeram não foi nada além do que já estava imbuído no sangue. Reciclagem.</p>
<h3>O uso do dubplate começou nos anos 50</h3>
<p><b>Muitas pessoas do meio eletrônico, principalmente da cena Drum&#8217;n'bass e mais recentemente do Dubstep, ainda hoje discutem sobre o caráter exclusivo do &#8220;dubplate&#8221;. Isso tem origem na Jamaica? Como isso aconteceu?</b></p>
<p>O uso de dubplates inicia-se na Jamaica, nos anos 50. Ou seja, o termo &#8220;dubplate&#8221; – ou &#8220;special&#8221; – surge antes mesmo do nascimento do Ska, o primeiro gênero musical popular jamaicano. A busca a todo custo pela exclusividade sempre foi uma marca registrada entre os sound systems.</p>
<p>Quando o som da vez ainda era o R&#038;B americano, principalmente o Boogie Woogie sulista, os selectors dos sound systems arranhavam o número de matriz dos discos para ninguém saber o que estava tocando e assim conseguir uma cópia igual. A medida que esses discos vão desaparecendo com o surgimento do Rock&#8217;n'roll, os donos dos sound systems começam a prestar atenção nos cantores locais. É através dos dubplates que eles testavam a receptividade do público.</p>
<h3>Os riddims eram regravados exaustivamente</h3>
<p><b>A reutilização de trechos pré-gravados, os &#8220;samples&#8221;, tem sido amplamente empregado pelos artistas e produtores jamaicanos para dar vida à novas faixas, versões, etc. Desde quando isso ocorre? Qual o motivo disso acontecer? É um uso puramente artístico ou também algo cultural, influenciado pela realidade econômica que persiste na Jamaica?</b></p>
<p>Se uma música fez sucesso na Jamaica é certo que seu &#8220;riddim&#8221; ou base – baixo, bateria e melodia do naipe de metais ou órgão – vai ser retrabalhado por outro produtor. Até o início dos anos 90, o controle dos direitos autorais de uma gravação na Jamaica ficava nas mãos de quem bancou a sessão – o produtor. Ele ficava com os direitos sobre aquele fonograma em particular, mas não sobre seu conteúdo. Isso, aliado ao fato de que é economicamente seguro apostar em algo já devidamente testado, fez com que riddims consagrados passassem a ser regravados exaustivamente por outros produtores.</p>
<p>É impressionante a quantidade de vezes que um riddim como &#8220;Real Rock&#8221; foi retrabalhado desde sua origem, em 1967, com o grupo Sound Dimension. São mais de duas mil vezes reutilizando a mesma base. Na internet, existem vários bancos de dados onde é possível checar o DNA desses riddims.</p>
<h3>O Reino Unido e a difusão da música jamaicana</h3>
<p><b>Qual a importância da internet para difusão da música popular jamaicana pelo mundo? A Inglaterra desempenhou um papel importante nesse processo?</b></p>
<p>A explosão do Reggae no mundo se dá através do Bob Marley. Só que via Inglaterra. Os ingleses sempre foram consumidores de música jamaicana. Mas é com a entrada da Island, a partir de 1973, que o negócio fica realmente sério. Bob Marley – e nenhum outro artista do Reggae – não aconteceria em escala mundial sem a exposição promovida pela Inglaterra. Porém, depois que ele se torna o embaixador do Reggae e, em 1981, morre, a percepção mundial do que é música jamaicana se congela. Uma coisa é um artista se tornar símbolo de um gênero. Outra totalmente diferente é ele se tornar o próprio gênero.</p>
<p>A importância da internet está justamente no fato de mostrar que existe todo um universo além de Marley. A web proporcionou uma segunda explosão do Reggae, felizmente uma explosão muito rica, com artistas fazendo som de tudo quanto é tipo. Hoje, a música jamaicana já faz parte do pop mundial.</p>
<p>Veja a Lilly Allen, por exemplo. Ao mesmo tempo, toda nova cena underground urbana traz algum elemento do Reggae, mesmo que escondido, dentro da sua gênese. Vida longa ao grave.</p>
<h3>A origem da cultura do sound system nos anos 40</h3>
<p><b>A cultura do DJ, do vinil e das pessoas dançando ao redor do sistema de som pode ser vista hoje reproduzida, de uma forma ou de outra, dentro dos clubs. A Jamaica também pode ser considerada o berço disso tudo?</b></p>
<p>Toda a cultura da música jamaicana é construída em torno do sound system, o rádio do povo: um sistema de som de proporções inimagináveis, tocando música mecânica, com um cara escolhendo os discos e outro animando o público e anunciando os patrocinadores.</p>
<p>A origem do sound system nos anos 40 é puramente mercadológica. Nos bares, gramofones e caixas de som tocavam os últimos lançamentos de R&#038;B, Jazz e Mento em direção às ruas, chamando o povo para consumir bebidas alcoólicas. Dez anos depois, o sound system se transformou no coração da comunidade, tocando para cinco mil pessoas por mais de 12 horas ao ar livre.</p>
<p>Essa cultura do &#8220;DJ superstar&#8221; dos dias de hoje começa na Jamaica, nos anos 50. Os caras tinham uma importância maior que a dos próprios governantes nos guetos da zona oeste de Kingston. Davam ajuda financeira, conselhos, tiravam quem eles queriam das cadeias. O sound system na Jamaica perpassa a idéia de um bando de gente dançando e se divertindo. Ele foi a primeira manifestação de massa num país colonizado por 400 anos, com quase 300 só de escravidão.</p>
<p>Como no futebol, cada jamaicano tem seu sound system do coração, seguindo todos seus passos e torcendo contra seus adversários nos soundclashes. E no topo disso tudo está o DJ e seus disquinhos de vinil.</p>
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		<title>Martyn</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2007/10/24/martyn/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Oct 2007 11:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Sua discografia contém títulos em selos como Bassbin e Revolve:r, mas são suas últimas produções que chamam atenção aos ouvidos mais atentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/martyndnb" target="blank"><b>Martyn</b></a> é o holandês Martijn Deykers. Sua discografia contém títulos em selos como Bassbin e Revolve:r, mas são suas últimas produções que chamam atenção aos ouvidos mais atentos. O single com as faixas &#8220;Broken&#8221; e &#8220;Shadowcasting&#8221;, pelo selo de Marcus Intalex, é um lançamento raro, daqueles com vocação suficiente para figurar como divisor de águas. Se o registro realmente vai vingar, só o tempo pode dizer. Mas não seria exagero falar que Martyn e outros produtores semelhantes estão promovendo uma mutação sonora significativa nos limiares do <a href="http://www.tranquera.org/dubstep" target="blank"><b>Dubstep</b></a>.</p>
<p>Em comum, Martyn, 2562, Appleblim, Shackleton e Peverelist adotaram o Techno como referência para construir timbres e organizar padrões percussivos. Dessa forma, o som dessa galera retoma uma característica importante e crucial para sua existência nos clubs: o balanço e a cadência da pista de dança. Se para alguns a pegada genérica do Dubstep soa letárgica demais, basta conhecer o som de Martyn e companhia para mudar de opinião – ou melhor, sair rebolando. Vivendo nos EUA e entre uma viagem e outra, o produtor conseguiu bater um papo com o Tranquera.</p>
<p><b>Você tem uma faixa que foi remixada pelo Nomadico, certo?</b></p>
<p>O Nomadico é membro do Underground Resistance, entrei em contato com ele não faz muito tempo e começamos a trocar músicas. Daí surgiu a idéia de remixar a faixa. Depois disso veio o remix do John Tejada para a &#8220;Red 7&#8243; e fizeram o vinil.</p>
<p><b>Suas faixas são rotuladas de Dubstep. O que você acha? Você se importa?</b></p>
<p>Só faço música que gosto. Claro que é mais fácil dizer algo do tipo &#8220;isso é mais ou menos Dubstep&#8221;, mas os rótulos são para a mídia e seus seguidores. Artistas só limitam seu trabalho quando começam levar isso à sério.</p>
<p><b>Como você criou essas faixas? Foi intencional?</b></p>
<p>Pensei que fosse interessante trabalhar com esse tempo. Sempre fui influenciado por House, Techno. Não foi surpresa para mim isso surgir na minha música. De forma alguma isso foi intencional.</p>
<p><b>Qual foi o feedback sobre elas?</b></p>
<p>O Kode 9 está apoiando desde sempre, o que me deixa bem feliz porque considero uma figura muito importante como DJ, produtor e dono de selo. Outros que também estão apoiando são Appleblim, Peverelist, Joe Nice, Mark Pritchard e Rob Smith.</p>
<p><b>O que você acha do trabalho do 2562?</b></p>
<p>É um holandês também, grande produtor, muito talentoso. Algumas pessoas estão nos comparando, dizendo que somos os holandêses que fazem &#8220;aquela coisa Techno&#8221;. Mas é puramente coincidência. Ou talvez não.</p>
<p><b>E o Skull Disco do Appleblim e do Shackleton?</b></p>
<p>Eles criaram algo único, respeito muito o trabalho deles.</p>
<p><b>O que você acha da cena Drum&#8217;n'bass hoje?</b></p>
<p>Não penso muito nisso. Existem bons produtores fazendo boas músicas, ao alcance das pessoas e isso me deixa feliz. Também existe bastante coisa ruim, péssimos DJs, mas deixo essa preocupação para os outros.</p>
<p><b>Quais produtores você mais curte?</b></p>
<p>Kode 9, DMZ, Marcus Intalex, Calibre, D-Bridge, Instramental, Burial, Peverelist, Appleblim, Shackleton, Ricardo Villalobos, Pépé Bradock, Agnes, Andy Stott, Guillaume &#038; The Coutu Dumonts, DJ Koze, Kalabrese e Cobblestone Jazz.</p>
<p><b>E os selos?</b></p>
<p>Wagon Repair, DMZ, Soulr, Revolver, Tempa, Hyperdub, Exit, Skull Disco, Perspectiv, Modern Love e Philpot.</p>
<p><b>Quais são os planos para o futuro?</b></p>
<p>Existe outro single saindo pelo Revolve:r e no final do ano devo lançar algo pelo 3024, meu próprio selo. No começo do ano que vem deve sair meu remix para a &#8220;Broken Heart&#8221; do TRG pelo Hessle Audio. Tem mais coisas mas não posso falar ainda. Você vão ver!</p>
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		<item>
		<title>ST Holdings</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2007/10/03/st-holdings/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Oct 2007 11:01:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Chris Parkinson simplesmente possui o emprego dos sonhos de muita gente: ele trabalha na ST Holdings.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>Chris Parkinson simplesmente possui o emprego dos sonhos de muita gente: ele trabalha na ST Holdings, empresa do Reino Unido que prensa e distribui muitos dos maiores sucessos do Drum&#8217;n'bass e do <a href="http://www.tranquera.org/dubstep" target="blank"><b>Dubstep</b></a>, hoje. Ao contrário do que muita gente imagina, é a distribuidora e não o selo que manda fabricar o vinil e cuida para que as peças cheguem às lojas do mundo todo. O Tranquera bateu um papo com o cara para saber mais sobre o mercado de vinil na era digital.</p>
<p><b>O que a ST Holdings está fazendo para segurar seu lugar no mercado?</b></p>
<p>A verdade é que um vinil com boa masterização sempre será melhor que um MP3 ou CD. O vinil sempre será único, não apenas pelo calor e densidade do som, mas porque é uma coisa que pode ser colecionada. Muitos colecionadores e DJs ainda querem vinil. Como distribuidores achamos que se o disco é bom, com uma boa masterização e arte especial, ele se torna colecionável. Encorajamos os selos a vender todos os formatos, para que o cliente tenha opção de escolha. Os MP3s são práticos e baratos, mas o vinil é o grande negócio.</p>
<p><b>Como funciona a prensagem de vinil hoje?</b></p>
<p>A maior parte dos selos que trabalhamos é mantida por artistas ou DJs. O serviço que oferecemos dá liberdade para que eles tenham seus selos, enquanto cuidamos do processo de fabricação e distribuição. Muitos dos nossos clientes viajam pelo mundo tocando ou estão em estúdios e não têm tempo para isso. Também fazemos distribuição digital. Somos especializados em prospecção, fabricação e fornecimento de música independente de qualidade. Suprimos uma rede formada por atacadistas, pequenos distribuidores e lojas. Em oito anos de atuação conquistamos uma reputação pela nossa qualidade e profissionalismo, junto aos consumidores e selos que representamos.</p>
<p><b>Quanto rende o download digital?</b></p>
<p>Aproximadamente 10% das vendas.</p>
<p><b>Quantos discos são prensados hoje?</b></p>
<p>É difícil estimar globalmente, mas uma boa faixa de Drum&#8217;n'bass ou Dubstep pode vender entre 5.000 e 10.000 discos sozinha.</p>
<p><b>Por que praticamente todo lançamento de Dubstep sai em vinil?</b></p>
<p>Do ponto de vista sonoro, o Dubstep é feito da melhor forma para arrasar nos sound systems. Os produtores querem aquela potência que só pode ser garantida com uma boa masterização. O Dubstep também é uma cena muito DIY (&#8220;do it yourself&#8221;, faça você mesmo). As pessoas fazem a faixa, cortam o dubplate, prensam o disco, levam para o club, entregam na mão dos DJs, vendem algumas cópias e tentam ganhar algum dinheiro para construir algo.</p>
<p><b>Algo mais?</b></p>
<p>Veja essa <a href="http://www.redbullmusicacademy.com/TUTORS.9.0.html?act_session=293" target="blank"><b>entrevista</b></a>. Ela resume o que penso sobre vinil.</p>
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		<title>O papel do vinil na era digital</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2007/09/12/o-papel-do-vinil-na-era-digital/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Sep 2007 11:01:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>
		<category><![CDATA[Features]]></category>

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		<description><![CDATA[Se por um lado alguns se preocupam com comodidade e lucro, por outro há quem ainda cultive valores calcados na coletividade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>Se por um lado alguns se preocupam com comodidade e lucro, por outro há quem ainda cultive valores calcados na coletividade. A questão ainda causa polêmica e acende discussões passionais através de comunidades virtuais em todo mundo. Tudo indica que o papel do vinil na era digital varia de acordo com a cultura de cada cena e sua morte definitiva está longe de ser anunciada.</p>
<h3>O vinil não vai morrer</h3>
<p>Na opinião de Carl Loben, um dos editores da DJ Mag britânica e responsável pelo selo Westway, os CDJs e as lojas virtuais de download pago provocaram uma queda considerável na venda de discos. &#8220;Muitos DJs usam CDs, Ableton, Serato ou Final Scratch porque é mais fácil de carregar. Em longas viagens, eles preferem escolher entre 100 faixas do que 100 discos. Mas o vinil não vai morrer, o mercado mudou&#8221;, comenta.</p>
<h3>Os selos precisam ser criativos</h3>
<p>Segundo o editor, não é possível culpar as pessoas pela situação atual. &#8220;Amigos sempre trocaram música entre si e a internet tornou isso mais amplo. É mais uma questão dos CDJs do que da rede. Muitos DJs não tocam mais vinil e a maioria deles deixou de comprar discos&#8221;, diz. Para quem busca retorno de investimento, o formato digital é uma alternativa. &#8220;O download pago não rende muito mas os custos são mínimos então é basicamente lucro. Você não precisa prensar. Hoje é quase impossível viver da venda de discos. Os selos precisam ser criativos, vender downloads, licenciar faixas para TV, cinema, videogame&#8221;, completa Carl.</p>
<h3>No Dubstep o vinil está em alta</h3>
<p>Já Martin Clark, colunista do site Pitchfork e curador da coletânea Roots Of Dubstep (Tempa), afirma que ainda há espaço para o vinil na cena. &#8220;É um mercado que se sustenta através da cultura do vinil, mantida pelos DJs através do corte de dubplates e pelos fãs colecionadores de discos&#8221;, explica. &#8220;Os álbuns em vinil são raros porque o investimento é muito alto para prensar um multipack ou soam ruins com várias faixas prensadas no mesmo lado do disco. Os singles em CD nunca pegaram, porque poucos se interessam. Então se você quiser comprar Dubstep, o vinil domina&#8221;, afirma.</p>
<h3>O estúdio Transition</h3>
<p>O Trasition, estúdio londrino que corta dubplates em acetato, aparentemente vive de relacionamento. &#8220;O Dubstep começou como uma cena muito pequena, estamos falando de literalmente meia dúzia de DJs que viviam no sul de Londres. O Transition fica próximo da região. Seu principal engenheiro de corte, o Jason, estreitou o contato com eles, dando dicas para melhorar a qualidade das produções. Ele sabe como cortar graves pesados em acetato e masteriza as faixas também&#8221;, explica Martin.</p>
<h3>Dubplates têm o som mais quente</h3>
<p>Por que alguns DJs preferem cortar dubplates ao invés de usar CDs ou ferramentas digitais? &#8220;Primeiro porque é mais fácil usar vinil, tocar CDs é muito embaraçoso. Segundo porque o som é mais bacana também, dubplates têm o som mais quente e fazem CDs soarem ruins em comparação. Por último, há um efeito subliminar na seleção. Quando você paga 40 libras por duas faixas, você tem que gostar muito delas. CDs são descartáveis, o que significa que você pode tocar coisas que não conhece bem e quem paga é o ouvinte&#8221;, opina.</p>
<h3>Oferta e procura</h3>
<p>As razões para prensar vinil hoje são claras. &#8220;Enquanto houver procura, vai valer a pena&#8221;, diz Carl. Quem decide são as pessoas e o mercado. &#8220;Alguns DJs amam vinil e provavelmente o disco sempre vai existir&#8221;, conclui Carl.</p>
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		<title>Paul Autonomic e o UK Garage Archives</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2007/01/24/uk-garage-archives/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Jan 2007 11:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Espaço destinado à história do UK Garage reúne artigos assinados por Kode 9, Kodwo Eshun entre outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>O site <a href="http://www.riddim.ca" target="blank"><b>Riddim.ca</b></a>, do camarada <a href="http://www.deeptime.net/blog" target="blank"><b>Paul Autonomic</b></a>, ganha o direito de reprodução dos arquivos que fizeram parte do Hyperdub entre 2000 e 2005. O novo espaço que é destinado à história do UK Garage – o UK Garage Archives – reúne artigos assinados por Steve Goodman (Kode 9), Kodwo Eshun entre outros.</p>
<h3>A importância do UK Garage Archives</h3>
<p>Entrevistas com Deekline, Dizzee Rascal, Horsepower Productions, Plasticman, Wiley e outras figuras importantes também foram resgatadas. O legado é fundamental para a compreensão de diversos aspectos da cena <a href="http://www.tranquera.org/dubstep" target="blank"><b>Dubstep</b></a>, suas diversas mutações e hibridismos.</p>
<p>A iniciativa, extremamente importante, seria ainda mais completa se os arquivos de áudio também fossem trazidos à tona, para ilustrar os pensamentos incríveis concebidos pelos seus personagens – idéia que Paul não descarta, porém ainda sem previsão para rolar. Em entrevista ao Tranquera, Paul fala sobre os arquivos do Hyperdub, seus conceitos mais interessantes e o futuro da cena.</p>
<h3>O resgate dos arquivos do Hyperdub</h3>
<p><b>O que exatamente fez você resgatar os arquivos do Hyperdub?</b></p>
<p>Existem algumas razões. A mais simples é que se trata da melhor coleção de textos sobre UK Garage que existe por aí e seria prejudicial não torná-la acessível. Fiquei bem contente quando o Steve concordou em deixar o arquivo hospedado. É uma coleção importante, tanto como material histórico como local onde pessoas experimentaram escrever e falar sobre música. Existem lá muitos artigos interessantes. A coleção é grande. O documento tem mais de 100 páginas.</p>
<p>Para mim, os artigos e entrevistas foram muito importantes porque comecei pesquisar Dubstep, Grime e UK Garage só algum tempo atrás. Como você sabe, é bem difícil achar coisas sobre pequenas cenas locais. Agora a internet é o jeito de saber o que rola nas noites, embora você não esteja cara-a-cara na festa. Cheguei pelo Hip Hop, quando era mais jovem, bem antes da internet, e dedicava horas pesquisando, aprendendo com a história da cena.</p>
<p>Acho importante saber de onde as coisas vêm quando você chega de fora. O Dubstep atraiu muita gente no ano passado e muitas pessoas estão tentando a sorte com isso mas poucos estão procurando aprender como ele se desenvolveu, quais são suas raízes. Isso pode ser ouvido na música que está sendo lançada nesses últimos meses. Então, nesse sentido, acho que o arquivo do Hyperdub é uma boa companhia à recente compilação Roots Of Dubstep da Ammunition.</p>
<h3>Máquinas de ritmo e tribos de velocidade</h3>
<p><b>Você acha que alguns conceitos e idéias desenvolvidos e escritos por pessoas como Kodwo Eshun estão presentes hoje no Dubstep?</b></p>
<p>Definitivamente. E hoje, uma coisa que me irrita, é essa idéia reacionária de que pensar muito sobre música causa algum dano ou que seja elitista. Muitas idéias que rolam na produção musical – como criar o som, o que ele representa, como ele se conecta com o passado e o futuro, o que ele faz ao corpo – merecem ser consideradas. Elas geram suas próprias teorias, então porque não se envolver?</p>
<p>Por exemplo, o Eshun descreve estilos diferentes de música dançante como &#8220;máquinas de ritmo&#8221; – máquinas abstratas, onde a tecnologia do som, a cultura e o corpo se unem para gerar um efeito particular, &#8220;abduzindo&#8221; quem dança ou ouve para o que o Erik Davis chama de &#8220;ciberespaço acústico&#8221;. Com essas conexões, podemos falar da relação entre música e ficção científica, cibernética, fisiologia, tecnologia digital, espaço, mitologia etc.</p>
<p>O Steve Goodman chama as cenas que se organizam ao redor das &#8220;máquinas de ritmo&#8221; de &#8220;tribos de velocidade&#8221;, que acho uma boa maneira de descrever como grupos de pessoas seguem tipos particulares de experiências sônicas – ritmos, texturas, freqüências, tempo – e distinguem sua cena das outras.</p>
<p>Esses termos são bem úteis, por exemplo, no caso dos fãs de Drum&#8217;n'bass, que descobrem o Dubstep e nem sempre entendem que o lance é mais do que desacelerar ou falar sobre a ausência de batidas. O Dubstep é uma máquina diferente. Seguindo essa lógica, você pode dizer que ele veio do Garage. Historicamente, o Garage emerge como uma alternativa ao Drum&#8217;n'bass e, com um pouco mais de pesquisa, você descobre porque essa tribo dissidente queria construir uma nova máquina em primeira instância. Então você observa o sistema operacional da máquina do Garage, enxerga como ela funciona e começa a fuçar nela, procurando plugar ali outras coisas. O crucial é não deixar a máquina quebrar durante o processo, perdendo sua intenção ou potencial. Exatamente agora temos inércia em abundância.</p>
<h3>Expansão e contração</h3>
<p><b>Como você vê a cena global hoje?</b></p>
<p>Está ficando cada vez mais difícil acompanhar novos talentos e eventos, já que eles estão pipocando, literalmente, em todo lugar. Para ser sincero, sinto uma ambivalência. Por um lado fico espantado com a quantidade de interesse vindo de todos os cantos do mundo. Lembro que você podia contar com a participação internacional em três mãos e dificilmente alguém queria saber de Dubstep. Mas o controle de qualidade foi um grande problema no ano passado.</p>
<p>Há esse paradoxo entre expansão e contração, em termos de presença global versus criatividade. Está em andamento, mas não é mais mutante como antes. Ou não tanto quanto gostaria que fosse. Podem questionar o elitismo da cultura do dubplate mas também pode-se considerar que a &#8220;democratização&#8221; via MP3s e CDRs tem potencial para causar uma entropia criativa. Só porque você tem algo exclusivo não significa que isso seja genial. Soa realmente pessimista. Existem muitos problemas, mas ainda há muito potencial em Londres e ao redor do mundo.</p>
<h3>Achados e perdidos</h3>
<p><b>O que podemos esperar para 2007?</b></p>
<p>A previsão é um crescimento constante. Estou aguardando o primeiro hit Pop. Aposto em &#8220;Give It Back&#8221; do D1. Você pode ter um clip de &#8220;relacionamento turbulento&#8221; para ela. Sinceramente, ainda olho para o DMZ e o Hyperdub para ver o que o futuro nos guarda. Acho que eles estão em outro nível. Estou curioso para saber onde o Skream vai parar a partir de agora, porque ele parece diante de algo grande. Depois tem o Shackleton, que continua crescendo e tem a cena Minimal Techno interessada nele. Pode, também, ser um caminho para o Pinch.</p>
<p>Vou ficar de olho e espero que alguém venha com algo completamente surpreendente. Burial foi a melhor surpresa de 2006. Torço para que o Grime tenha um ano melhor e que as cenas se aproximem novamente. E, finalmente, estou tocando agora, então quero ver como as pessoas reagem às músicas, tanto as novas como as antigas.</p>
<p>Não poderia esquecer um dos primeiros artigos do arquivo Hyperdub chamado &#8220;A Assombração do UK Garage&#8221;. Quão divinatório não é aquilo? Parece que o ano passado foi assombrado por memórias, futuros perdidos e retrospectivas. Espero que alguns desses &#8220;achados e perdidos&#8221; tragam algo legal para todos nós.</p>
<p>Estava pensando nessa questão e acho que deixei algumas pessoas de fora. Tenho de dizer que o pessoal de Bristol está produzindo muita coisa bacana, como Pinch e Monkeysteak. Os novos trabalhos do Peverelist são incríveis. Nos EUA estou interessado no que o Dev79 e o Starkey estão fazendo. As produções do Dusk e do Blackdown estão pegando pesado. Tem o The Bug com a participação da Warrior Queen. E, depois, tem você. Fiquei impressionado com o EP e gostaria de ouvir mais Dubstep do Brasil.</p>
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		<title>Marlow</title>
		<link>http://www.tranquera.org/2007/01/17/marlow/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Jan 2007 11:01:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tranquera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Para o produtor, a música é uma linguagem universal e o meio de comunicação mais poderoso de todos. Saiba mais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.tranquera.org/img/450x210.gif" width="450" height="210" alt="Tranquera.org"></p>
<p>Com vinil Dubstep na praça lançado pelo respeitado Storming Productions, <a href="http://www.myspace.com/marlowdubstep" target="blank"><b>Marlow</b></a>, 26, de Wimborne, Inglaterra, é sinônimo de força de vontade e persistência. Sua percepção pela música começou cedo, aos 8 anos de idade, com aulas de piano e trompete. Aos 14, já curtia Jazz e Funk. Seu interesse pela produção cresceu após ouvir Drum&#8217;n'bass e Techno em clubs de Londres.</p>
<p>Para o produtor, a música é uma linguagem universal e o meio de comunicação mais poderoso de todos. &#8220;É o melhor meio de me expressar&#8221;, diz. &#8220;Com a tecnologia atual, o limite é a imaginação do artista. É uma liberdade de expressão total. Se você conhece suas ferramentas, então é possível dar vida à uma idéia no ato, antes que você perca aquele momento&#8221;, completa.</p>
<p><b>Como você cria suas faixas? De onde vem sua inspiração?</b></p>
<p>Pode vir de qualquer lugar. De um som na rua ou do rádio. Literalmente, qualquer lugar. Todas minhas faixas começam com um loop ou uma idéia na cabeça. Acho impossível começar do zero. Curto tocar piano e se estou sem inspiração fico inventando melodias. Meu sampler é a ferramenta mais importante do meu estúdio. Tudo gira ao redor dele. Os filtros daquela coisa são foda! Também não vivo sem minha mesa de som. Não curto a mixagem fria dos softwares, prefiro o calor do analógico, para que as coisas respirem. Toda faixa que faço tem um tema. Normalmente uma nova técnica ou idéia musical. Sempre tento fazer melhor do que antes e tento algo que não fiz. Isso é inspiração o suficiente.</p>
<p><b>Você tem uma faixa lançada pelo Storming Productions, certo?</b></p>
<p>Certo. &#8220;The Rope&#8221; foi meu primeiro lançamento. Queria ter certeza de que poderia confiar no meu som antes de lançar qualquer coisa em vinil. Trabalho na empresa que faz a distribuição do Storming Productions, então já conhecia o Quiet Storm antes de terminar a faixa. Mandei o som para ter algum feedback. Foi minha primeira faixa e fiquei muito feliz pelo lançamento. Foi um grande incentivo para continuar. Não acredito em sorte de principiante. Acho que foi um motivo para persistir e não desistir no primeiro obstáculo.</p>
<p><b>Suas faixas são tocadas em alguns radio shows? Qual a importância disso?</b></p>
<p>Isso faz o negócio acontecer. Existem muitos ouvintes no mundo todo. E os DJs não se assustam com novos artistas, o que é muito legal. Tive um apoio muito grande dos DJs e isso me deu confiança para continuar fazendo o que faço e não me conformar com um estilo em particular.</p>
<p><b>O que você mais curte na cena Dubstep?</b></p>
<p>Muitas coisas me levaram ao Dubstep: a influência do Reggae, o grave, o andamento e o fato dos DJs tocarem sets bem diversificados. Também curto o lance de que todo mundo está tocando vinil e dubplate. O esquema é a música em si, ao invés da produção. Acho que isso atrai muita gente. Alguns caras estão fazendo faixas incríveis em softwares básicos.</p>
<p><b>Você consegue prever o que vai rolar na cena?</b></p>
<p>Acho que as pessoas estão satisfeitas com o jeito que as coisas estão rolando. De vez em quando aparece um hit no underground, com vocal e tal. Mas isso ainda está para acontecer no Dubstep porque não existem muitas faixas com vocal por aí. A coisa está aumentando nos últimos 12, 18 meses e acho que isso anima todo mundo. É um grande incentivo.</p>
<p><b>Quais são os planos para o futuro?</b></p>
<p>Quero voltar a tocar. Estava fora de forma por um tempo mas agora estou pronto para voltar. Sinto falta. Quero começar meu selo também, mas antes tenho alguns lançamentos em selos bem estabelecidos. Meu objetivo é que cada faixa seja melhor que a última. Quero seguir em frente. Mesmo que ninguém queira ouvir minhas faixas, vou continuar produzindo. É meu hobby. Ter faixas tocadas por aí é só um bônus. É bem legal saber que as pessoas estão curtindo meu trabalho.</p>
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